sábado, 28 de junho de 2014

Dezessete

POV KATHERIN
Parecia que Luan tinha planejado aquilo tudo havia meses. Apesar dos olhares estranhos enquanto saíamos do avião, sequer ninguém nos perguntava nada. Não tinham achado estranho alguém embarcar e desembarcar de um avião sem passar por nenhuma vistoria?
Eu continuava um pouco tonta. Me sentia cansada e um pouco abatida.
-Em qual hotel a gente pode ficar? -Luan perguntou.
-Não precisa de hotel. -eu disse- Trouxe as chaves de... casa.
Era estranho chamar de casa um lugar onde estive poucas vezes. Era como se eu soubesse que aquilo não ia ser bom, mas mesmo assim... Sabia que eu precisava ir.

POV LUAN
Eu não queria, mas tive que fazer. Não gosto da palavra enganar, era mais algo como... apresentar um novo fato.
Com pessoas desconhecidas tudo bem, afinal eu provavelmente nunca mais as veria de novo, mas com a Katherin era diferente. Mas eu não podia dizer que eu fiquei enfurecido de fome no meio da viagem (enfurecido mesmo, não tinha sentido tanta fome na minha vida) e quase agredi a aeromoça. Quando ameaçaram parar o avião eu me controlei. Me deram mais comida e eu me acalmei um pouco. A Katherin tinha ficado assustada demais comigo, até que naturalmente ela se acalmou e dormiu.
Agora íamos em direção à casa de sua família em Londres. Ela parecia um pouco chocada, mas tentava não deixar isso transparecer. Preferi olhar a paisagem da cidade a preocupa-la com o que já estava parecendo obsessão. O dia estava um pouco cinza e o taxista não parecia amistoso como os do Brasil. Vi mais prédios e casas do que natureza. As casas eram como em Girassol, pareciam um pouco antigas. Depois de quase uma hora, comecei a ver um pouco de verde e o táxi parou em uma casa vermelha.

Não foi o tamanho da casa que me chamou atenção e sim um bosque atrás dela. Assim que paramos, senti um cheiro que vinha de lá que era um pouco estranho, mas que gritava "comida aqui, vem Luan, corre!". Eu queria sair correndo do carro ali mesmo, mas não ficaria bem pra mim. Paguei o táxi e ajudei com as malas. Ficamos um pouco admirando ela.
-Tem tanto tempo que eu não piso aqui, que ninguém da família entra...
-Então eu acho que esse é um momento muito especial, será que eu não devia ir pra algum hotel ou...
-Não -ela me interrompeu- Vamos entrar juntos.
Kate pegou a chave, encaixou e girou. Quando a porta abriu, um cheiro de casa no campo veio até nós. Katherin foi a primeira a entrar. Em seguida eu tentei, mas minha pernas não conseguiam sair do lugar.
-Entra Luan.
Como se fosse algum truque, minhas pernas me levaram pra dentro. A casa estava super limpa e arrumada. Parecia até que alguém tinha terminado de arrumá-la a alguns minutos. Kate também pareceu achar estranho.
-Tem alguém aqui? -ela perguntou.

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Dezesseis

POV LUAN
Eu não fazia a mínima ideia de como embarcaríamos naquele voo nem se chegaríamos a tempo. Na verdade eu nem sabia como a Micaella tinha caído na minha conversa de precisar pensar, sendo que ela me falou que eu poderia enganar qualquer um. Agora eu tinha certeza que da próxima vez que nos víssemos, ela ia me matar.
A Katherin dormia no banco de trás. Parecia cansada. Mas estava linda.
Os cachos dela caindo por cima daquele rosto meigo, com feições de quem estava preocupada, me encantavam tanto que às vezes eu até diminuía a velocidade do carro para poder admirar ela um pouco.
Quando chegamos à capital, eu não estava nem um pouco cansado. Fomos direto para o aeroporto, onde a Katherin comeu um pouco antes do voo ser anunciado. Nossas malas já tinham sido despachadas.
-A gente não tinha que passar pelo procedimento padrão antes?
-Não. -respondi calmamente. Por dentro eu estava muito nervoso.
A segurança nos parou no portão.
-Vocês já passaram por tudo?
-Sim,-olhei no crachá dele- Ricardo. Já te entregamos tudo.
Vi sua pupila se dilatar assim como aconteceu com a Micaella e ele deu sinal para os outros nos deixarem passar.
Algum tempo depois, já estávamos no avião. Estava ficando cansado (vampiros se cansam?), mas tinha medo de acontecer aquilo no ar. Tentei resistir ao máximo mas não consegui, acabei adormecendo.

POV KATHERIN
Assim que entrei no avião, eu adormeci. Acordei algum tempo depois, com o Luan encostando em mim. Ele não me parecia repulsivo dormindo. Eu poderia até abraça-lo. Poderia, mas não o faria. Isso envolvia muito mais do que uma simples vontade.
Então eu simplesmente fechei os olhos e adormeci novamente.
-Ladies and gentlemen, we are in British territory, be landing in about 10 minutes. (Senhores passageiros, já estamos em território Britânico, pousaremos em aproximadamente em 10 minutos.)
Acordei com o comandante falando que já tínhamos chegado na Inglaterra. Eu tinha dormido a viagem inteira? 
Luan já estava virado para o outro lado. Cutuquei ele e ele acordou um pouco assustado.
-O que foi?
-A gente tá chegando.
-Finalmente! -ele se espreguiçou.
-Dormiu muito?
-O tempo todo. Você também. -me senti um pouco estranha quando ele disse isso. Como se eu ficasse tonta alguns segundos, e de repente eu comecei me lembrar até dos sonhos que tive.
-Vou no banheiro antes que a gente pouse.
-Tudo bem. -respondi- Ah, Luan... Você sabe falar inglês, não é?
-Nem um pouco. -ele disse, riu e foi embora.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quinze

POV KATHERIN
Tomei um susto quando vi meu pai abrindo a porta. Corri para abraça-lo, mesmo com o corpo mole por causa do resfriado.
-Pai! Onde você estava?
-O quê? Eu estava aqui, eu te disse que viria. -ele me abraçou- Katherin, você está queimando de febre!
Ele pegou o termômetro, me colocou deitada na cama e pôs ele debaixo do meu braço.
-Vou pegar o antitérmico.
Ele pegou o remédio e eu tomei. O termômetro apitou. Eu estava com quase 40 graus de febre.
E se tudo aquilo foi uma alucinação?
O mais estranho era que mesmo com a temperatura alta eu me sentia bem.
-A gente vai ter que ir até a cidade.
-Não pai! Quer dizer... Eu tô me sentindo melhor. Só foi um pouco de chuva.
Ele se sentou em minha cama e colocou minha cabeça em seu colo. Era bom ter meu pai perto. Era bom saber que ao menos ele era real.
Quando acordei, estava chovendo. Meu pai estava me chamando.
-Tem... tem uma pessoa que quer falar com você. Consegue descer?
-Uma pessoa?
-É.
-Tudo bem.
Me enrolei no edredom e desci devagar pra sala. Algum tipo de felicidade se instalou em mim quando eu vi que era o Luan.
-Pai... o senhor pode deixar a gente sozinho?
Ele olhou feio para a cara do Luan antes de responder.
-Tudo bem. Mas eu vou estar perto, no estábulo. Qualquer coisa é só me gritar.
Meu pai saiu e eu me sentei.
-Vamos pra Londres amanhã.
-O quê?
-Seu passaporte está atualizado?
-Está mas... eu não posso sair daqui.
-O colar também te protege.
-Como você sabe dessas coisas?
-Eu te explico no caminho. Agora a gente tem que ir pra capital antes que a Micaella se dê conta de que eu fugi.
-Não. E se você estiver junto com o Leandro? Se quiser me matar também.
Luan pareceu impaciente e subiu as escadas em direção ao meu quarto. Subi atrás dele o mais rápido que consegui. Quando cheguei lá, metade do meu armário estava na mala.
-Não tenho certeza, nas a gente tem que começar pelo endereço que tem no diário. Pegamos o primeiro voo pra la que aparecer. Eu tenho dinheiro o suficiente para alguns dias. Depois a gente se vira.
Ele colocou o que lhe parecia essencial em duas malas, fechou elas e as levou pra baixo. Aquilo era loucura. Eu estava febril, sem condições de fazer uma viagem internacional, mas fui até o armário do banheiro (achei que cofres já estariam manjados) e peguei o diário. Luan desceu com as malas enquanto eu tentava me arrumar um pouco. Depois, ele me ajudou a descer.
-Espera. -pedi e fui até o estábulo. Meu pai tomou um susto ao me ver um pouco mais revigorada do que a alguns minutos antes.
-O que... aonde você vai? -eu o abracei.
-Eu preciso pai. É o único jeito.
-Jeito de que?
-Eu vou voltar. Vou descobrir o que ou quem matou a mamãe. Vou descobrir um jeito de trazer o Lucas de volta.
-Katherin, do que você está falando?
-Eu te amo pai. Tome muito cuidado. E ande sempre armado -o abracei e saí. 
Entrei no carro de Luan, e foi como se de repente minha vida estivesse em suas mãos. É, de certa forma estava. E o mais estranho era que eu confiava nele.
Estávamos a algum tempo na estrada. Era estranho que meu pai não tivesse ido atrás de mim. Na verdade me dava medo.
Pela recorrência das coisas,por um Santana e um Smith viajarem juntos, seria perfeitamente normal se a guarda nacional viesse pra me "resgatar".

Catorze

Enquanto a Micaella fazia algo longe de mim (ela me deixou no meio da praça e foi pra perto da mata novamente) pensei em sair correndo. Eu iria pra casa. Ia me trancar lá e ela não ia conseguir me tirar dali.
Mas ela podia me explicar o que estava acontecendo. O que eu tinha a ver com a tal maldição do diário e porque que a Katherin tinha que sumir (ela não citou o nome dela mas deu pra entender o que ela quis dizer com "garota"), e principalmente, ela poderia me explicar se meu sonambulismo tinha a ver com isso ou não.
Esperei ela voltar por uns cinco minutos. Observei o sol nascendo no horizonte. A quanto tempo eu estava fora de casa? Eu havia saído para me encontrar com a Kate e não tinha voltado.
Afinal de contas... o que tinha acontecido com ela?
Sua casa ficava a poucos metros da praça, talvez eu conseguisse ir lá e voltar sem que a Micaella percebesse.
Me levantei, decidido a ir e voltar rapidamente.
-Onde você vai?
-Agora, a lugar nenhum.
Ela se sentou no banco.
-Me explica o que tá acontecendo. -eu pedi.
-Eu acho que você não vai gostar de saber.
-Fala logo Micaella.
-Tudo bem... Você é um vampiro.
-Não.
-É, você é.
-Acho que se eu fosse eu perceberia. Talvez eu tivesse vontade de matar alguém, virasse um morcego, morresse no sol ou quem sabe brilhasse nele...
-Isso são histórias sem pé nem cabeça.
-Tá, mas eu teria que estar morto, não é?
-Teria, mas eu não tive coragem.
-Isso não tá se encaixando. São só baboseiras. Coisas que você tá inventando.
-Como eu saberia da maldição?
-Tá... Então me explica.
-Não posso falar tudo. Pelo menos não agora. A gente tem que destruir o diário e a garota antes que ela descubra como destruir a gente.
Lembrei de um trecho do diário " Para quebra-la, encontrem as outras partes desse diário, e destruam-na, junto com o mal que iniciou tudo isso."
-O mal que iniciou isso tudo...
-Os mais antigos são o Leandro e o Lucas. Não foram eles que iniciaram, mas segundo o que o Leandro me falou, vai por hereditariedade. Até chegar na gente.
Me sentei no banco, afastado o suficiente para ao menos tentar correr.
-E nessa história... a gente é do bem ou do mal?
-Eu sou... sou do lado em que eu sobreviver.
-Você... mata as pessoas?
-Se não fosse vocês, eu não precisaria matar. A maldição não é o surgimento. É a fome. A gente se alimentava normalmente. A única vez em que eu havia experimentado sangue humano foi para terminar a minha transformação. Eu... eu não queria fazer isso com você, mas a Jessica não resistiu, tinha que ser você.
-Não lembro que você tenha me mordido ou alguma coisa parecida. Como eu... virei... eu não consigo falar.
-Meu sangue está contaminado. É tipo... um vírus. Ele entrou em sua corrente sanguínea, e você está contaminado. Eu usei uma seringa e injetei meu "sangue" em uma veia no seu pescoço enquanto você dormia.
-Fizeram isso com você também?
-Não, comigo foi diferente. -ela riu- Você não vai querer saber como foi.
-Mas você disse que não teve coragem de me matar. Eu tenho mesmo que morrer?
-Se você não morrer durante esses primeiros dias... o vírus vai se transformando. Coisas cada vez mais estranhas vão acontecer e mais dia menos dia, sangue animal não vai te satisfazer.
-Sangue animal? Como assim sangue animal?
-Luan, enquanto você acha que tá apagado, faz coisas que me dão medo de chegar perto.
Ela havia me convencido. Não de destruir a Katherin. Me convencido de que eu era um vampiro (ou seja lá o que for, afinal eu não me achava parecido com o Conde Drácula nem com o Edward), e que eu tinha de encontrar alguma forma de reverter isso. Eu não queria virar um monstro.

domingo, 22 de junho de 2014

Treze

POV LUAN
A Micaella começou a me arrastar. Como ela tinha ficado tão forte?
-Espera, me explica.
-Não tem tempo pra isso Luan. A gente precisa destruir aquela garota e aquele diário, antes que o Lucas convença o Leandro de vez.
-O diário... Espera, não tem a ver com a tal maldição, tem?
-Tem a ver com eu estar com fome e ter que ir até aqui pra conseguir comer. Daí eu chego e você já espantou os turistas. Isso não é legal.
-Mas eu...
-CALA A BOCA! –ela gritou comigo e eu resolvi que era melhor ficar quieto.
Demorou um pouco para chegarmos à cidade. Eu estava com frio, por conta da minha falta de roupas, mas a Micaella não pareceu ligar muito pra isso. Conseguimos entrar silenciosamente em sua casa e ela me levou para seu quarto. Peguei o primeiro lençol que vi e me enrolei. Não estava me sentindo à vontade com ela me olhando.
-Em três dias a transformação vai ser total. Você não vai mais precisar comer comida de... gente normal. Na verdade, isso não vai mais te satisfa... –ela parou de repente- Ela não está mais aqui. –ela sorriu- Fique aqui, eu já volto.
-Eu não vou ficar aqui, eu vou pra casa.
-Aff, então vem comigo.
-De novo? Olha, eu tô cansado.
-Vem comigo ou eu dou um jeito de te prender aqui.
Depois de ela ter me achado no meio da mata e conseguido praticamente me arrastar até a cidade, eu duvidava de pouca coisa.
-Eu vou com você. Mas pelo menos me dá uma roupa.
-Suas roupas estão no meu guarda-roupa.
-Mas o que...
-Anda logo!

POV KATHERIN

Pelo que o Lucas me contou, ele, o Leandro e mais algumas pessoas (ele fugiu um pouco no quesito ”quem”) eram Vetalas.
Pra mim, pareceu só um nome estranho para “vampiro”. O fato de que ele estava morto me abalou um pouco. Ele disse que nem eu nem ninguém havia percebido porque o Leandro conseguia confundir um pouco a mente das pessoas, por isso todo mundo se lembrava da infância deles, inclusive seus “pais”.
O fato de eu me lembrar dele era como um milagre. Quando o diário foi aberto, a confusão se foi. Por isso a Karina não se lembrava deles.
Segundo ele, a maldição era real, mas ele não me explicou nada sobre isso. Na verdade, ele não me explicou quase nada. Me deixou na entrada da fazenda, dizendo que não conseguia entrar.
Isso mesmo, não CONSEGUIA. Não disse “queria” nem “podia”. Era outra coisa que ele tinha adiado.
Agora eu estava presa. Presa na fazenda e presa ao colar da Joanna, que segundo o Lucas, impediu o Leandro de ter me matado àquela hora.

Eu não consegui dormir. Fiquei sentada em frente à janela segurando o colar. A noite inteira. 

Doze

Não sabia as horas exatas quando acordei, mas sabia que devia ser madrugada. Sentia como se meu corpo estivesse tomado pela febre. Senti meu nariz entupido e a garganta dolorida. A gripe tinha me pegado sem que eu percebesse?
Ouvi o barulho de algo no corredor. 
-Pai? -perguntei mas ninguém respondeu. Esperei mais alguns segundos e perguntei por outra pessoa- Lucas? 
Achei que ninguém fosse me responder novamente, mas a porta se abriu devagar. E quem abriu foi um Lucas diferente. Ele parecia abatido, como se não se alimentasse a dias, e com uma tristeza no olhar que acabou comigo. Ele caminhou devagar até minha cama.
Lucas me beijou a testa. O abracei, mas com muito medo. Medo não dele, mas do que viria depois. O que tinha acontecido?
-Você lembra de mim!
-Lembro. Lógico que lembro. Porque... eu fui na sua casa hoje e sua mãe ela me colocou pra fora, eu... O Luan sumiu. Eu não sei porque eu tô preocupada com isso, mas ele sumiu.
-Preciso te explicar uma coisa. -senti um vento entrar pela janela e o Leandro entrou no meu quarto.
Meu mal é que quando entro em pânico, não consigo sair do lugar.
Lucas acariciou meu rosto, e eu queria correr. Leandro chegou mais perto de mim, e minha respiração foi saindo do normal. Eu queria gritar. Onde estava meu pai?
-A culpa é sua! -Leandro disse apontando para o Lucas- Eu falei que era ela, falei pra gente dar um jeito nela, mas não, você não quis. Agora a gente tá aqui.
-Me escuta. Vai pra fazenda. Fica lá, até eu falar que pode sair, ouviu?
-O-o quê?
-Não tira esse colar. Isso é o mais importante. -Lucas disse e eu olhei para o colar que eu tinha pego emprestado das coisas da minha avó.


-O que tem ele? Lucas, eu não tô entendendo eu...
-Você abriu o diário. Você não entendeu isso ainda? Não entendeu a gravidade do que fez? -Leandro me disse.
-Katherin... -Lucas disse- A gente tem muito o que conversar.
POV LUAN
Eu não acreditava que tinha acontecido de novo. Eu não abri os olhos, mas sabia onde estava. Quer dizer, não exatamente. Sei que estaria em algum lugar que não conhecia. Com medo de estar no telhado de casa, abri os olhos. Encontrei um céu bastante estrelado. Tinham estrelas até demais. Na cidade não dava pra vê-las tão claramente. 
Tentei me levantar e sentar, mas eu parecia deitado em um braço de sofá. Espera...braços de sofá não pinicam!
Me levantei rápido demais e quase me desequilibrei. A coisa piorou quando eu olhei pra baixo. Eu estava no topo de uma árvore! Como fui parar lá?
Me sentei no lugar onde eu estava e comecei a pensar. Eu não lembrava de ter ido dormir. Só de estar conversando com a Katherin sobre meu... meu pescoço! Toquei nele mas já não tinha nenhuma cicatriz grande, só o que me parecia uma bolinha. Eu sentia sede, e ali não parecia ter água em nenhum lugar perto. Eu precisava ir pra casa.
Bom, pra subir em árvores eu era tão bom que fazia dormindo, eu tinha acabado de me provar isso. Mas descer delas ainda era... digamos que um ponto a desenvolver. Era alto pra pular. Eu teria que descer escalando.
Vamos lá... um pé depois do outro e eu conseguiria. Eu tinha que me lembrar que qualquer arranhão ficaria marcado já que eu estava sem roupas.
Respirei fundo, me apoiei em um galho que parecia forte, coloquei um pé na árvore e... PAF! Mais ouvi o impacto do que senti dor. Minhas costas tinham ido parar direto no chão.
Quando tentei me levantar que ouvi o que pareciam ossos estralando dentro de mim. Era uma dor insuportável mas que estava passando aos poucos. Devia ser um sonho. Ou melhor, um pesadelo.
-Ai, até que enfim te encontrei! -mesmo de cabeça pra baixo (ainda estava deitado) conheceria ela em qualquer lugar.
-Micaella?
-Quê, não me conhece mais não? Pensei que você nunca iria terminar. Levanta daí que eu vou te levar pra minha casa.
-Eu não vou pra sua casa.
-Como assim você não vai?

sábado, 21 de junho de 2014

Onze

Fechei o diário imediatamente e coloquei na pasta.
-Eu sei quem pode ajudar a gente.
Começou a chover. Estava preocupada com o pescoço do Luan. O que era aquilo? Joguei um pouco de água que tinha em uma garrafa nele, mas não parou de sair aquilo.
-Não parece sangue, não tem cheiro... isso é ruim. Vamos, a gente tem que ir no médico e na casa do Lucas.
-Você tá preocupada comigo... -ele riu, o que me deu nos nervos.
-Assim como estaria com qualquer outra pessoa. Vamos.
-Desde quando você se importa com alguém?
Eu senti que fiquei vermelha de raiva.
-Se não quer vir, não vem.  -peguei a maleta, coloquei junto ao corpo e saí, na chuva mesmo. Quando estava no meio do caminho, lembrei que ele poderia ter um ataque e desmaiar lá sozinho, afinal com a chuva, ninguém iria até a praia.
Voltei e não encontrei ele mais lá. Agora ele podia estar em qualquer lugar da cidade.
Mas o Luan ja era bem grandinho pra saber o que fazer. Se ele queria ir sozinho, que fosse.
Levei a maleta até a minha casa e a tranquei no cofre do escritório.
Eu não devia estar acreditando naquilo. Devia ser alguma brincadeira. Sei lá, talvez essa tal de Joanna quisesse pregar uma peça em seus descendentes. Talvez esse negócio de "destino da humanidade" não existisse. É, talvez ela fosse louca. Talvez por isso minha família foi para a Inglaterra, porque a Joanna vivia perturbando a mente das outras pessoas da cidade com isso, talvez ninguém mais a suportasse e a tivessem mandado pra lá. Isso explicaria porque ela era uma Santana e depois...
Não, não, não! Agora o que eu estava pensando era que parecia loucura. Não tinha como ser coincidencia o endereço daquela casa estar lá.
Eu precisava do meu pai, ele era meu porto seguro, ele sempre me dizia o que era certo a fazer, desde que eu era criança. Quando eu tinha qualquer problema, era para o colo dele que eu ia. De noite, eu sempre ia parar debaixo de seu cobertor, procurando por um lugar quente após um pesadelo.
E naquele pesadelo eu não sabia onde estava sua cama. E eu também não sabia se iria acordar.
Liguei para seu celular, mas so dava caixa postal. Disquei também o número do Lucas, mas deu que o mesmo era inexistente. Então resolvi ir até sua casa. Toquei a campainha repetidas vezes até que a dona Karina chegou.
-Oi...
-Oi dona Karina. Onde o Lucas e o Leandro estão?
-Quem?
-Lucas e Leandro, seus filhos. -ela pareceu confusa.
-Que filhos? Eu não tenho filhos.
-Dona Karina... seus filhos.
-Todo mundo sabe que eu não tenho filhos, porque você veio encher minha paciência hoje?
-Mas... mas Dona Karina eu não entendo...
Ela não me deixou terminar de falar, entrou e bateu a porta.
A chuva continuava. Ventava forte e meu guarda-chuva quase ia com o vento, não importava a direção que eu o colocasse.
Com um pouco de dificuldade, voltei pra casa.
Nunca havia estado tão confusa. Onde o Lucas estava? O que havia acontecido com a Dona Karina?
Comecei a tremer, sem saber se era de frio ou de desespero.
Percebi que estava completamente encharcada.
Subi até meu quarto e fui até a cabeceira da cama procurar as fotos de Lucas. Onde ele estaria àquela hora?
Tomei um susto ao ver que as fotos não estavam mais lá.
Agora eu tinha certeza que não era paranoia. Minha vontade era me rasgar inteira por dentro. Aquela era a maldição? Perder a pessoa que amamos? Já não bastava a minha avó?
Me enrolei na cama, mesmo com as roupas encharcadas. Será que meu pai também sumiria?
E o Luan? Não que eu o amasse, mas tínhamos algum vínculo agora. Ele iria simplesmente sumir também?

OI AMORES! ENTÃO, HOJE FOI O ÚLTIMO DIA EM QUE POSTEI MAIS DE DOIS CAPÍTULOS EM UM DIA! O QUE ESTÃO ACHANDO? COMENTEM, QUERO SABER. *-* TEM UM GRUPO NO WHATSAPP PRA FIC, QUEM QUISER ENTRAR DEIXA O NÚMERO COM O DDD AQUI, TÁ CERTO? E O MEU FACE É ESSE. BEIJINHOS. :*