domingo, 7 de setembro de 2014

Vinte e Nove

-Eles iam matar o Luan!
-E desde quando você se importa mais com ele do que com si mesma? Eles poderiam ter te matado!
-Mas não mataram.
-Tá, mas e agora? Você vai viver fugindo, o tempo todo?
-Não. Quero aproveitar todo o tempo que eu tiver com você.
Ele olhou pra mim e depois para o Luan.
-Não só comigo, não é?
Tive vontade de gritar com ele. Não era tão fácil perdoar alguém após uma desilusão. Depois de saber que a maioria de suas lembranças eram falsas.
Naquele quarto, as únicas lembranças que eu tinha certeza que eram de verdade eram as com o Luan. Por mais idiotas que fossem.
Ele colocou a seringa em si mesmo e tirou seu sangue. Ou o que parecia ser isso.
Logo depois, aplicou na veia de Luan. Eu não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo.
-Isso vai ajudar ele?
-Amanhã de manhã ele já vai estar de pé.
-Como no dia em que você se machucou na escola?
-Na verdade eu me recuperei na mesma hora mas aquilo seria estranho. Então eu...
-Shh... -O interrompi- A partir de agora criaremos nossa própria história.  -ele me abraçou.
-Cuida dele. Preciso achar essas páginas.
-Mas... E se o Leandro vier?
-Eu tenho minha arma secreta. -ele movimentou a cabeça em direção à cortina e eu reconheci aqueles cabelos loirinhos e ralos. Era o garoto que estava no salão.
**
-Quer?  -perguntei, estendendo-lhe um pacote de batatas fritas. Ele fez que não- Então... você é caladão assim mesmo é?
-Eu só falo quando é necessário.
-Hum... Eu acho que agora é necessário. Qual o seu nome?
-Eles me chamam de Peter.
-Você não gosta?
-Gosto.  -ele me olhou assustado e voltou para atrás da cortina.
-O que foi?
"Ele está acordando"
Me virei e vi o Luan se mexendo. Corri para abraçá-lo de leve.
-Ei! -eu disse- Não faz muito esforço. 
-O colar. -ele gemeu.
-Tá tudo bem. -ele se sentou na cama.
-Não, não tá. Nossa, nem parece que eu levei aquela surra.
-Não tá sentido mais nada?
-Eu tô, mas não é aquilo tudo. -ele olhou pra cortina.
-Peter, pode aparecer. Ele é do bem.
"Como você tem certeza?"
Ele demorou mais um pouco e saiu.
-Quem é você? -Luan perguntou.
-Ele não fala português... mas pensamentos não tem idioma.
Luan ficou calado por alguns segundos. Peter riu.
-Não é tão legal quando você não consegue ler pensamentos também. -observei
-Tem alguém vindo. -Peter disse.
-Volte pra lá. -apontei pra cortina.
Quando abriram a porta, vi que era o Lucas.
-A gente tem que sair daqui. -ele disse quando entrou.
-Lucas! Ainda bem que você tá bem.
 -Toma.-ele me entregou as páginas num saco. -Agora vamos, eles sabem que estamos aqui.

MIL VISUALIZAÇÕES! *-* ISSO SIGNIFICA QUE MESMO QUE VOCÊS ME DEIEM NO VÁCUO NOS COMENTÁRIOS, CONTINUAM VENDO A HISTÓRIA. <3 MUITO OBRIGADA.

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