domingo, 22 de junho de 2014

Treze

POV LUAN
A Micaella começou a me arrastar. Como ela tinha ficado tão forte?
-Espera, me explica.
-Não tem tempo pra isso Luan. A gente precisa destruir aquela garota e aquele diário, antes que o Lucas convença o Leandro de vez.
-O diário... Espera, não tem a ver com a tal maldição, tem?
-Tem a ver com eu estar com fome e ter que ir até aqui pra conseguir comer. Daí eu chego e você já espantou os turistas. Isso não é legal.
-Mas eu...
-CALA A BOCA! –ela gritou comigo e eu resolvi que era melhor ficar quieto.
Demorou um pouco para chegarmos à cidade. Eu estava com frio, por conta da minha falta de roupas, mas a Micaella não pareceu ligar muito pra isso. Conseguimos entrar silenciosamente em sua casa e ela me levou para seu quarto. Peguei o primeiro lençol que vi e me enrolei. Não estava me sentindo à vontade com ela me olhando.
-Em três dias a transformação vai ser total. Você não vai mais precisar comer comida de... gente normal. Na verdade, isso não vai mais te satisfa... –ela parou de repente- Ela não está mais aqui. –ela sorriu- Fique aqui, eu já volto.
-Eu não vou ficar aqui, eu vou pra casa.
-Aff, então vem comigo.
-De novo? Olha, eu tô cansado.
-Vem comigo ou eu dou um jeito de te prender aqui.
Depois de ela ter me achado no meio da mata e conseguido praticamente me arrastar até a cidade, eu duvidava de pouca coisa.
-Eu vou com você. Mas pelo menos me dá uma roupa.
-Suas roupas estão no meu guarda-roupa.
-Mas o que...
-Anda logo!

POV KATHERIN

Pelo que o Lucas me contou, ele, o Leandro e mais algumas pessoas (ele fugiu um pouco no quesito ”quem”) eram Vetalas.
Pra mim, pareceu só um nome estranho para “vampiro”. O fato de que ele estava morto me abalou um pouco. Ele disse que nem eu nem ninguém havia percebido porque o Leandro conseguia confundir um pouco a mente das pessoas, por isso todo mundo se lembrava da infância deles, inclusive seus “pais”.
O fato de eu me lembrar dele era como um milagre. Quando o diário foi aberto, a confusão se foi. Por isso a Karina não se lembrava deles.
Segundo ele, a maldição era real, mas ele não me explicou nada sobre isso. Na verdade, ele não me explicou quase nada. Me deixou na entrada da fazenda, dizendo que não conseguia entrar.
Isso mesmo, não CONSEGUIA. Não disse “queria” nem “podia”. Era outra coisa que ele tinha adiado.
Agora eu estava presa. Presa na fazenda e presa ao colar da Joanna, que segundo o Lucas, impediu o Leandro de ter me matado àquela hora.

Eu não consegui dormir. Fiquei sentada em frente à janela segurando o colar. A noite inteira. 

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