POV KATHERIN
Acordei assustada e vi que estava no meu quarto. Olhei para o lado e vi que meu pai estava lá.
-Que bom que você acordou, não estava conseguindo ligar para o médico.
Respirei fundo. Me sentia fraca.
-Cadê o Luan, pai?
-Ah, ele foi ver a família, mas disse que daqui a pouco volta. O que eu acho um pouco difícil.
-Porquê?
-Ah, nada demais. Besteira minha na verdade.
-Tá. -me sentei vagarosamente na cama.
-Você quer alguma coisa? Tem um pouco de sopa lá embaixo. Vou buscar, fica quietinha.
-Ta. Tudo bem.
Meu pai saiu do quarto e Luan pulou pela janela.
-Você quase matou seu pai do coração.
-Não vai ver sua família?
-Não tenho cara.
-Você não pode fugir pra sempre Luan.
-Que sempre? Na melhor das hipóteses eu vou ficar aqui vendo eles morrerem.
Me senti desconfortável.
-E então ao invés de aproveitar esse tempo que sobra, você vai fugir? Esquecer que eles existiram?
-Não vai ser fácil. -o mesmo homem de mais cedo apareceu na minha porta.
-Quem é você? -me levantei, tentando me precaver de alguma coisa.- Ou melhor... o que é você?
-Eu sou... Um anjo.
POV LUAN
Nunca tinha parado pra pensar em ver meu anjo da guarda na minha frente. Na verdade, desde que deixei de ser criança, não acreditava mais nisso.
-E o que você veio fazer aqui? -perguntei. Katherin estava novamente encolhida na cama.
-Não é só a vida de vocês que está em jogo. O plano celeste e... o outro, esta tudo uma bagunça.
-Por minha causa? -ela perguntou.
-Por causa da Joana, na verdade. Esse diário não podia nem começar a ser escrito.
-Espera. Anjo, vampiro, maldição, bruxaria... tudo isso é verdade?
-Na verdade, as bruxas não existem a muitos anos.
-Tô muito confuso. -eu disse- Minha descoberta sobre a existência de vampiros foi muito trágica, eu virei um sem nem saber! Agora você vem aqui fala "oi, sou seu anjo da guarda." Desde quando vampiros têm anjo da guarda?!
-Você não é vampiro, você é meio vampiro, só vira um vampiro se morrer.
-Olha, eu queria muito quebrar sua cara, não sei porquê.
-Isso seria uma enorme falta de educação porque eu caí pra ajudar vocês.
-Anjos caídos não se tornam demônios? -Katherin perguntou.
-Não é bem assim que acontece. Se vocês ficarem calmos, eu vou poder explicar tudo.
-Não tem como eu ficar calmo!
-Olha, tudo bem. Daqui a pouco você relaxa. Eu sei o quanto você é teimoso. Vou dar uma volta.
Ele se levantou e saiu.
-Luan, não precisava ser rude com ele.
-Esse... cara, me observa desde antes de eu nascer, eu tô me sentindo meio invadido.
-É meio que o trabalho dele. Quantas vezes você se machucou bem menos do que deveria? Num acidente, ou sei lá. Ele te protegeu.
-E o seu deve estar bem aqui, agora, olhando o que a gente está fazendo. -ela riu.
-Deve estar. Por mais que às vezes a gente não sinta, sempre tem alguém nos protegendo.
Se tinha mesmo, por que estávamos passando por tudo aquilo? Porquê ele tinha deixado eu ficar "meio-vampiro"?
Não quis tocar naquele assunto com a Katherin. Já bastava o que ela passava.
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