POV LUAN
Kate tinha bebido um pouco demais, mas eu tinha me controlado, porque não via mais tanta graça em beber ou até comer muito. E olha que eu amava comer.
Estávamos deitados um em frente do outro, e o outro casal estava na outra cama.
-Você não vai dormir? -perguntei sussurrando.
-Não quero.
-Porquê?
-A peruca pode sair, e...
-E o quê?
-Os pesadelos voltaram.
-Eu tô aqui.
-Não depois de eu fechar os olhos.
Ela ficou me olhando por algum tempo.
-Como é não dormir?
-Eu durmo. Só um pouco, mas durmo.
-Acho que se você dormir comigo eu consigo dormir.
-Vou tentar. -fechei os olhos. E fiquei com eles assim por um bom tempo. Quando abri de novo, ela já estava dormindo. Beijei sua testa e fiquei olhando ela dormir.
-Tchau e muito obrigado, mais uma vez.
-Por nada. Boa lua de mel pra vocês.
-Muito obrigada.
Kate me deu a mão e entramos no trem, que já estava pra sair. Estava cheio, mas como compramos uma espécie de quarto, não nos incomodaria muito.
-Pronta pra 18h de viagem?
-Acho que sim.
Ela deitou e eu deitei do lado dela. O trem começou a andar.
-Tem uma coisa que você nunca me contou.
-O quê?
-O que tem no diário?
-Ah... você sabe. A vida da Joana.
-Não é interessante? Tipo a nossa? -ela riu.
-É. Muito.
-Conta então.
-Bem, tinha duas famílias que se odiavam. E ela se apaixonou pelo rapaz da família rival.
-Tipo Romeu e Julieta?
-É... tipo Romeu e Julieta. Só que o final é diferente. Bem, eles fizeram ela ver todos de sua família morrendo. E expulsaram ela do país com uma mão na frente e outra atrás. -sua voz estava embargada e seus olhos marejados.
-Nossa, que história triste.
-Não tanto. No navio ela conheceu um Duque Inglês. Ele se apaixonou por ela e assumiu seu filho.
-Filho? Você não falou de filho.
-Ela estava grávida.
-Ah. E depois?
-Quando ela chegou em Londres, teve o bebê, mas raptaram ele. No diário ela diz que achava que foram as "criaturas da noite".
-Vampiros?
-Provavelmente.
-Ainda não vi nada feliz nessa história.
-Bem, ela teve um filho com o Duque por causa disso a família Smith começou a ter sangue brasileiro misturado. E muitos anos depois, a minha vó resolveu voltar.
-Eu só não entendi porquê ela assinava o diário como Santana.
-Santana era o sobrenome do amor da vida dela.
Não pude evitar de sorrir. Tínhamos uma ligação, afinal.
-E depois?
-Não sei. O que li só vai até a parte em que ela diz que um dia eles vão voltar a ficar juntos, de alguma forma. O restante foi perdido. Eu nunca vou saber o final da história.
A abracei.
-A gente pode inventar um final feliz pra eles.
Ela saiu de meus braços e foi até a janela.
-Mas eu realmente queria saber.
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