POV LUAN
-A quanto tempo vocês estão juntos? -Um ano.
-Ces são muito novos pra já estarem casados.
O casal Souza aceitou que a gente dormisse em seu quarto, mas nos encheram de perguntas. A Kate não me deixava responder nenhuma.
-De onde vem o Salvatore?
-Alguma parte da Europa. Não sei muito bem. Não sou ligado à minha família. -respondi.
Chegamos no quarto e guardamos nossas coisas. Combinamos de não tirar nada da mala, para o caso de alguma emergência, estarmos com os documentos falsos.
-O que vocês acham de jantarmos juntos? Assim podemos nos conhecer melhor.
Kate olhou pra mim, esperando uma resposta.
-Tudo bem. -respondi- Só precisamos nos trocar.
-Ah claro. Fiquem à vontade. Vamos estar lá embaixo.
-Ok. -a Kate sorriu. Eles saíram e ela se jogou na cama. -Posso ir primeiro?
-Pode.
Ela tirou a peruca e foi pro banheiro.
-O grande problema vai ser a maquiagem.
-E essa barba que é mais difícil de botar do que a normal de tirar? Essa lente marrom que não tem nada a ver comigo...
-É castanho.
-É a mesma coisa.
-Não é não. -ela fechou a porta. Dei uma boa olhada no quarto e vi que tinha um violão lá. Que saudade que eu tava de sentar e tocar...
Me levantei e me senti um pouco tonto. Eu estava fraco. Cada dia mais fraco. E não sabia o que fazer. Peguei o violão e comecei a dar uma melodia à letra que estava na minha cabeça a dias.
Não vou contar
Sobre os conflitos que acontecem na minha cabeça
Se não te entrego toda minha fragilidade
Minha dualidade iria te assustar demais
Só vou te dar o lado bom das coisas
Se eu me fizer de forte cê vai confiar
E me entregar os seus desejos mais profundos
Com você todas as coisas simples ficam mais bonitas
Me deu o melhor carinho que eu tive na vida
Eu não quero te ver chorar
Se nada é eterno, promete ser meu nada
Meu único refúgio à beira de uma estrada
Te coloquei nas vírgulas de cada sonho meu
Eu quero ter você de janeiro a janeiro
Dos meus planos mais lindos, você é o primeiro
Te coloquei nas vírgulas de cada sonho meu
Nas vírgulas de cada sonho meu
Quando terminei, vi a Kate em pé me olhando.
-Você que fez?
-Foi.
-Vocês são tão parecidos...
-Vocês quem?
-Você e o Lucas. Ele também compõe. Ele fez uma música pra mim também. -ela sorriu cabisbaixa.
-Bom, eu já volto. Coloquei o violão no lugar e fui pro banho.
Quando eu voltei, a Kate estava na varanda, cantando uma música que eu nunca tinha ouvido, com voz de choro.
Fiquei atrás dela até ela terminar. Ela já estava de peruca e tudo e eu também já estava arrumado. Coloquei a mão em seu ombro.
-Desde quando você tá aí?
-Desde que você começou.
Ela se virou e me abraçou.
-Porquê isso tudo não acaba logo?
-Já vai acabar, eu te prometo.
Ela me abraçou com mais força e depois me soltou de repente. Depois, fez algo que me surpreendeu mais ainda. Ela me beijou.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Cinquenta e Quatro
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