sábado, 28 de junho de 2014

Dezessete

POV KATHERIN
Parecia que Luan tinha planejado aquilo tudo havia meses. Apesar dos olhares estranhos enquanto saíamos do avião, sequer ninguém nos perguntava nada. Não tinham achado estranho alguém embarcar e desembarcar de um avião sem passar por nenhuma vistoria?
Eu continuava um pouco tonta. Me sentia cansada e um pouco abatida.
-Em qual hotel a gente pode ficar? -Luan perguntou.
-Não precisa de hotel. -eu disse- Trouxe as chaves de... casa.
Era estranho chamar de casa um lugar onde estive poucas vezes. Era como se eu soubesse que aquilo não ia ser bom, mas mesmo assim... Sabia que eu precisava ir.

POV LUAN
Eu não queria, mas tive que fazer. Não gosto da palavra enganar, era mais algo como... apresentar um novo fato.
Com pessoas desconhecidas tudo bem, afinal eu provavelmente nunca mais as veria de novo, mas com a Katherin era diferente. Mas eu não podia dizer que eu fiquei enfurecido de fome no meio da viagem (enfurecido mesmo, não tinha sentido tanta fome na minha vida) e quase agredi a aeromoça. Quando ameaçaram parar o avião eu me controlei. Me deram mais comida e eu me acalmei um pouco. A Katherin tinha ficado assustada demais comigo, até que naturalmente ela se acalmou e dormiu.
Agora íamos em direção à casa de sua família em Londres. Ela parecia um pouco chocada, mas tentava não deixar isso transparecer. Preferi olhar a paisagem da cidade a preocupa-la com o que já estava parecendo obsessão. O dia estava um pouco cinza e o taxista não parecia amistoso como os do Brasil. Vi mais prédios e casas do que natureza. As casas eram como em Girassol, pareciam um pouco antigas. Depois de quase uma hora, comecei a ver um pouco de verde e o táxi parou em uma casa vermelha.

Não foi o tamanho da casa que me chamou atenção e sim um bosque atrás dela. Assim que paramos, senti um cheiro que vinha de lá que era um pouco estranho, mas que gritava "comida aqui, vem Luan, corre!". Eu queria sair correndo do carro ali mesmo, mas não ficaria bem pra mim. Paguei o táxi e ajudei com as malas. Ficamos um pouco admirando ela.
-Tem tanto tempo que eu não piso aqui, que ninguém da família entra...
-Então eu acho que esse é um momento muito especial, será que eu não devia ir pra algum hotel ou...
-Não -ela me interrompeu- Vamos entrar juntos.
Kate pegou a chave, encaixou e girou. Quando a porta abriu, um cheiro de casa no campo veio até nós. Katherin foi a primeira a entrar. Em seguida eu tentei, mas minha pernas não conseguiam sair do lugar.
-Entra Luan.
Como se fosse algum truque, minhas pernas me levaram pra dentro. A casa estava super limpa e arrumada. Parecia até que alguém tinha terminado de arrumá-la a alguns minutos. Kate também pareceu achar estranho.
-Tem alguém aqui? -ela perguntou.

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Dezesseis

POV LUAN
Eu não fazia a mínima ideia de como embarcaríamos naquele voo nem se chegaríamos a tempo. Na verdade eu nem sabia como a Micaella tinha caído na minha conversa de precisar pensar, sendo que ela me falou que eu poderia enganar qualquer um. Agora eu tinha certeza que da próxima vez que nos víssemos, ela ia me matar.
A Katherin dormia no banco de trás. Parecia cansada. Mas estava linda.
Os cachos dela caindo por cima daquele rosto meigo, com feições de quem estava preocupada, me encantavam tanto que às vezes eu até diminuía a velocidade do carro para poder admirar ela um pouco.
Quando chegamos à capital, eu não estava nem um pouco cansado. Fomos direto para o aeroporto, onde a Katherin comeu um pouco antes do voo ser anunciado. Nossas malas já tinham sido despachadas.
-A gente não tinha que passar pelo procedimento padrão antes?
-Não. -respondi calmamente. Por dentro eu estava muito nervoso.
A segurança nos parou no portão.
-Vocês já passaram por tudo?
-Sim,-olhei no crachá dele- Ricardo. Já te entregamos tudo.
Vi sua pupila se dilatar assim como aconteceu com a Micaella e ele deu sinal para os outros nos deixarem passar.
Algum tempo depois, já estávamos no avião. Estava ficando cansado (vampiros se cansam?), mas tinha medo de acontecer aquilo no ar. Tentei resistir ao máximo mas não consegui, acabei adormecendo.

POV KATHERIN
Assim que entrei no avião, eu adormeci. Acordei algum tempo depois, com o Luan encostando em mim. Ele não me parecia repulsivo dormindo. Eu poderia até abraça-lo. Poderia, mas não o faria. Isso envolvia muito mais do que uma simples vontade.
Então eu simplesmente fechei os olhos e adormeci novamente.
-Ladies and gentlemen, we are in British territory, be landing in about 10 minutes. (Senhores passageiros, já estamos em território Britânico, pousaremos em aproximadamente em 10 minutos.)
Acordei com o comandante falando que já tínhamos chegado na Inglaterra. Eu tinha dormido a viagem inteira? 
Luan já estava virado para o outro lado. Cutuquei ele e ele acordou um pouco assustado.
-O que foi?
-A gente tá chegando.
-Finalmente! -ele se espreguiçou.
-Dormiu muito?
-O tempo todo. Você também. -me senti um pouco estranha quando ele disse isso. Como se eu ficasse tonta alguns segundos, e de repente eu comecei me lembrar até dos sonhos que tive.
-Vou no banheiro antes que a gente pouse.
-Tudo bem. -respondi- Ah, Luan... Você sabe falar inglês, não é?
-Nem um pouco. -ele disse, riu e foi embora.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quinze

POV KATHERIN
Tomei um susto quando vi meu pai abrindo a porta. Corri para abraça-lo, mesmo com o corpo mole por causa do resfriado.
-Pai! Onde você estava?
-O quê? Eu estava aqui, eu te disse que viria. -ele me abraçou- Katherin, você está queimando de febre!
Ele pegou o termômetro, me colocou deitada na cama e pôs ele debaixo do meu braço.
-Vou pegar o antitérmico.
Ele pegou o remédio e eu tomei. O termômetro apitou. Eu estava com quase 40 graus de febre.
E se tudo aquilo foi uma alucinação?
O mais estranho era que mesmo com a temperatura alta eu me sentia bem.
-A gente vai ter que ir até a cidade.
-Não pai! Quer dizer... Eu tô me sentindo melhor. Só foi um pouco de chuva.
Ele se sentou em minha cama e colocou minha cabeça em seu colo. Era bom ter meu pai perto. Era bom saber que ao menos ele era real.
Quando acordei, estava chovendo. Meu pai estava me chamando.
-Tem... tem uma pessoa que quer falar com você. Consegue descer?
-Uma pessoa?
-É.
-Tudo bem.
Me enrolei no edredom e desci devagar pra sala. Algum tipo de felicidade se instalou em mim quando eu vi que era o Luan.
-Pai... o senhor pode deixar a gente sozinho?
Ele olhou feio para a cara do Luan antes de responder.
-Tudo bem. Mas eu vou estar perto, no estábulo. Qualquer coisa é só me gritar.
Meu pai saiu e eu me sentei.
-Vamos pra Londres amanhã.
-O quê?
-Seu passaporte está atualizado?
-Está mas... eu não posso sair daqui.
-O colar também te protege.
-Como você sabe dessas coisas?
-Eu te explico no caminho. Agora a gente tem que ir pra capital antes que a Micaella se dê conta de que eu fugi.
-Não. E se você estiver junto com o Leandro? Se quiser me matar também.
Luan pareceu impaciente e subiu as escadas em direção ao meu quarto. Subi atrás dele o mais rápido que consegui. Quando cheguei lá, metade do meu armário estava na mala.
-Não tenho certeza, nas a gente tem que começar pelo endereço que tem no diário. Pegamos o primeiro voo pra la que aparecer. Eu tenho dinheiro o suficiente para alguns dias. Depois a gente se vira.
Ele colocou o que lhe parecia essencial em duas malas, fechou elas e as levou pra baixo. Aquilo era loucura. Eu estava febril, sem condições de fazer uma viagem internacional, mas fui até o armário do banheiro (achei que cofres já estariam manjados) e peguei o diário. Luan desceu com as malas enquanto eu tentava me arrumar um pouco. Depois, ele me ajudou a descer.
-Espera. -pedi e fui até o estábulo. Meu pai tomou um susto ao me ver um pouco mais revigorada do que a alguns minutos antes.
-O que... aonde você vai? -eu o abracei.
-Eu preciso pai. É o único jeito.
-Jeito de que?
-Eu vou voltar. Vou descobrir o que ou quem matou a mamãe. Vou descobrir um jeito de trazer o Lucas de volta.
-Katherin, do que você está falando?
-Eu te amo pai. Tome muito cuidado. E ande sempre armado -o abracei e saí. 
Entrei no carro de Luan, e foi como se de repente minha vida estivesse em suas mãos. É, de certa forma estava. E o mais estranho era que eu confiava nele.
Estávamos a algum tempo na estrada. Era estranho que meu pai não tivesse ido atrás de mim. Na verdade me dava medo.
Pela recorrência das coisas,por um Santana e um Smith viajarem juntos, seria perfeitamente normal se a guarda nacional viesse pra me "resgatar".

Catorze

Enquanto a Micaella fazia algo longe de mim (ela me deixou no meio da praça e foi pra perto da mata novamente) pensei em sair correndo. Eu iria pra casa. Ia me trancar lá e ela não ia conseguir me tirar dali.
Mas ela podia me explicar o que estava acontecendo. O que eu tinha a ver com a tal maldição do diário e porque que a Katherin tinha que sumir (ela não citou o nome dela mas deu pra entender o que ela quis dizer com "garota"), e principalmente, ela poderia me explicar se meu sonambulismo tinha a ver com isso ou não.
Esperei ela voltar por uns cinco minutos. Observei o sol nascendo no horizonte. A quanto tempo eu estava fora de casa? Eu havia saído para me encontrar com a Kate e não tinha voltado.
Afinal de contas... o que tinha acontecido com ela?
Sua casa ficava a poucos metros da praça, talvez eu conseguisse ir lá e voltar sem que a Micaella percebesse.
Me levantei, decidido a ir e voltar rapidamente.
-Onde você vai?
-Agora, a lugar nenhum.
Ela se sentou no banco.
-Me explica o que tá acontecendo. -eu pedi.
-Eu acho que você não vai gostar de saber.
-Fala logo Micaella.
-Tudo bem... Você é um vampiro.
-Não.
-É, você é.
-Acho que se eu fosse eu perceberia. Talvez eu tivesse vontade de matar alguém, virasse um morcego, morresse no sol ou quem sabe brilhasse nele...
-Isso são histórias sem pé nem cabeça.
-Tá, mas eu teria que estar morto, não é?
-Teria, mas eu não tive coragem.
-Isso não tá se encaixando. São só baboseiras. Coisas que você tá inventando.
-Como eu saberia da maldição?
-Tá... Então me explica.
-Não posso falar tudo. Pelo menos não agora. A gente tem que destruir o diário e a garota antes que ela descubra como destruir a gente.
Lembrei de um trecho do diário " Para quebra-la, encontrem as outras partes desse diário, e destruam-na, junto com o mal que iniciou tudo isso."
-O mal que iniciou isso tudo...
-Os mais antigos são o Leandro e o Lucas. Não foram eles que iniciaram, mas segundo o que o Leandro me falou, vai por hereditariedade. Até chegar na gente.
Me sentei no banco, afastado o suficiente para ao menos tentar correr.
-E nessa história... a gente é do bem ou do mal?
-Eu sou... sou do lado em que eu sobreviver.
-Você... mata as pessoas?
-Se não fosse vocês, eu não precisaria matar. A maldição não é o surgimento. É a fome. A gente se alimentava normalmente. A única vez em que eu havia experimentado sangue humano foi para terminar a minha transformação. Eu... eu não queria fazer isso com você, mas a Jessica não resistiu, tinha que ser você.
-Não lembro que você tenha me mordido ou alguma coisa parecida. Como eu... virei... eu não consigo falar.
-Meu sangue está contaminado. É tipo... um vírus. Ele entrou em sua corrente sanguínea, e você está contaminado. Eu usei uma seringa e injetei meu "sangue" em uma veia no seu pescoço enquanto você dormia.
-Fizeram isso com você também?
-Não, comigo foi diferente. -ela riu- Você não vai querer saber como foi.
-Mas você disse que não teve coragem de me matar. Eu tenho mesmo que morrer?
-Se você não morrer durante esses primeiros dias... o vírus vai se transformando. Coisas cada vez mais estranhas vão acontecer e mais dia menos dia, sangue animal não vai te satisfazer.
-Sangue animal? Como assim sangue animal?
-Luan, enquanto você acha que tá apagado, faz coisas que me dão medo de chegar perto.
Ela havia me convencido. Não de destruir a Katherin. Me convencido de que eu era um vampiro (ou seja lá o que for, afinal eu não me achava parecido com o Conde Drácula nem com o Edward), e que eu tinha de encontrar alguma forma de reverter isso. Eu não queria virar um monstro.

domingo, 22 de junho de 2014

Treze

POV LUAN
A Micaella começou a me arrastar. Como ela tinha ficado tão forte?
-Espera, me explica.
-Não tem tempo pra isso Luan. A gente precisa destruir aquela garota e aquele diário, antes que o Lucas convença o Leandro de vez.
-O diário... Espera, não tem a ver com a tal maldição, tem?
-Tem a ver com eu estar com fome e ter que ir até aqui pra conseguir comer. Daí eu chego e você já espantou os turistas. Isso não é legal.
-Mas eu...
-CALA A BOCA! –ela gritou comigo e eu resolvi que era melhor ficar quieto.
Demorou um pouco para chegarmos à cidade. Eu estava com frio, por conta da minha falta de roupas, mas a Micaella não pareceu ligar muito pra isso. Conseguimos entrar silenciosamente em sua casa e ela me levou para seu quarto. Peguei o primeiro lençol que vi e me enrolei. Não estava me sentindo à vontade com ela me olhando.
-Em três dias a transformação vai ser total. Você não vai mais precisar comer comida de... gente normal. Na verdade, isso não vai mais te satisfa... –ela parou de repente- Ela não está mais aqui. –ela sorriu- Fique aqui, eu já volto.
-Eu não vou ficar aqui, eu vou pra casa.
-Aff, então vem comigo.
-De novo? Olha, eu tô cansado.
-Vem comigo ou eu dou um jeito de te prender aqui.
Depois de ela ter me achado no meio da mata e conseguido praticamente me arrastar até a cidade, eu duvidava de pouca coisa.
-Eu vou com você. Mas pelo menos me dá uma roupa.
-Suas roupas estão no meu guarda-roupa.
-Mas o que...
-Anda logo!

POV KATHERIN

Pelo que o Lucas me contou, ele, o Leandro e mais algumas pessoas (ele fugiu um pouco no quesito ”quem”) eram Vetalas.
Pra mim, pareceu só um nome estranho para “vampiro”. O fato de que ele estava morto me abalou um pouco. Ele disse que nem eu nem ninguém havia percebido porque o Leandro conseguia confundir um pouco a mente das pessoas, por isso todo mundo se lembrava da infância deles, inclusive seus “pais”.
O fato de eu me lembrar dele era como um milagre. Quando o diário foi aberto, a confusão se foi. Por isso a Karina não se lembrava deles.
Segundo ele, a maldição era real, mas ele não me explicou nada sobre isso. Na verdade, ele não me explicou quase nada. Me deixou na entrada da fazenda, dizendo que não conseguia entrar.
Isso mesmo, não CONSEGUIA. Não disse “queria” nem “podia”. Era outra coisa que ele tinha adiado.
Agora eu estava presa. Presa na fazenda e presa ao colar da Joanna, que segundo o Lucas, impediu o Leandro de ter me matado àquela hora.

Eu não consegui dormir. Fiquei sentada em frente à janela segurando o colar. A noite inteira. 

Doze

Não sabia as horas exatas quando acordei, mas sabia que devia ser madrugada. Sentia como se meu corpo estivesse tomado pela febre. Senti meu nariz entupido e a garganta dolorida. A gripe tinha me pegado sem que eu percebesse?
Ouvi o barulho de algo no corredor. 
-Pai? -perguntei mas ninguém respondeu. Esperei mais alguns segundos e perguntei por outra pessoa- Lucas? 
Achei que ninguém fosse me responder novamente, mas a porta se abriu devagar. E quem abriu foi um Lucas diferente. Ele parecia abatido, como se não se alimentasse a dias, e com uma tristeza no olhar que acabou comigo. Ele caminhou devagar até minha cama.
Lucas me beijou a testa. O abracei, mas com muito medo. Medo não dele, mas do que viria depois. O que tinha acontecido?
-Você lembra de mim!
-Lembro. Lógico que lembro. Porque... eu fui na sua casa hoje e sua mãe ela me colocou pra fora, eu... O Luan sumiu. Eu não sei porque eu tô preocupada com isso, mas ele sumiu.
-Preciso te explicar uma coisa. -senti um vento entrar pela janela e o Leandro entrou no meu quarto.
Meu mal é que quando entro em pânico, não consigo sair do lugar.
Lucas acariciou meu rosto, e eu queria correr. Leandro chegou mais perto de mim, e minha respiração foi saindo do normal. Eu queria gritar. Onde estava meu pai?
-A culpa é sua! -Leandro disse apontando para o Lucas- Eu falei que era ela, falei pra gente dar um jeito nela, mas não, você não quis. Agora a gente tá aqui.
-Me escuta. Vai pra fazenda. Fica lá, até eu falar que pode sair, ouviu?
-O-o quê?
-Não tira esse colar. Isso é o mais importante. -Lucas disse e eu olhei para o colar que eu tinha pego emprestado das coisas da minha avó.


-O que tem ele? Lucas, eu não tô entendendo eu...
-Você abriu o diário. Você não entendeu isso ainda? Não entendeu a gravidade do que fez? -Leandro me disse.
-Katherin... -Lucas disse- A gente tem muito o que conversar.
POV LUAN
Eu não acreditava que tinha acontecido de novo. Eu não abri os olhos, mas sabia onde estava. Quer dizer, não exatamente. Sei que estaria em algum lugar que não conhecia. Com medo de estar no telhado de casa, abri os olhos. Encontrei um céu bastante estrelado. Tinham estrelas até demais. Na cidade não dava pra vê-las tão claramente. 
Tentei me levantar e sentar, mas eu parecia deitado em um braço de sofá. Espera...braços de sofá não pinicam!
Me levantei rápido demais e quase me desequilibrei. A coisa piorou quando eu olhei pra baixo. Eu estava no topo de uma árvore! Como fui parar lá?
Me sentei no lugar onde eu estava e comecei a pensar. Eu não lembrava de ter ido dormir. Só de estar conversando com a Katherin sobre meu... meu pescoço! Toquei nele mas já não tinha nenhuma cicatriz grande, só o que me parecia uma bolinha. Eu sentia sede, e ali não parecia ter água em nenhum lugar perto. Eu precisava ir pra casa.
Bom, pra subir em árvores eu era tão bom que fazia dormindo, eu tinha acabado de me provar isso. Mas descer delas ainda era... digamos que um ponto a desenvolver. Era alto pra pular. Eu teria que descer escalando.
Vamos lá... um pé depois do outro e eu conseguiria. Eu tinha que me lembrar que qualquer arranhão ficaria marcado já que eu estava sem roupas.
Respirei fundo, me apoiei em um galho que parecia forte, coloquei um pé na árvore e... PAF! Mais ouvi o impacto do que senti dor. Minhas costas tinham ido parar direto no chão.
Quando tentei me levantar que ouvi o que pareciam ossos estralando dentro de mim. Era uma dor insuportável mas que estava passando aos poucos. Devia ser um sonho. Ou melhor, um pesadelo.
-Ai, até que enfim te encontrei! -mesmo de cabeça pra baixo (ainda estava deitado) conheceria ela em qualquer lugar.
-Micaella?
-Quê, não me conhece mais não? Pensei que você nunca iria terminar. Levanta daí que eu vou te levar pra minha casa.
-Eu não vou pra sua casa.
-Como assim você não vai?

sábado, 21 de junho de 2014

Onze

Fechei o diário imediatamente e coloquei na pasta.
-Eu sei quem pode ajudar a gente.
Começou a chover. Estava preocupada com o pescoço do Luan. O que era aquilo? Joguei um pouco de água que tinha em uma garrafa nele, mas não parou de sair aquilo.
-Não parece sangue, não tem cheiro... isso é ruim. Vamos, a gente tem que ir no médico e na casa do Lucas.
-Você tá preocupada comigo... -ele riu, o que me deu nos nervos.
-Assim como estaria com qualquer outra pessoa. Vamos.
-Desde quando você se importa com alguém?
Eu senti que fiquei vermelha de raiva.
-Se não quer vir, não vem.  -peguei a maleta, coloquei junto ao corpo e saí, na chuva mesmo. Quando estava no meio do caminho, lembrei que ele poderia ter um ataque e desmaiar lá sozinho, afinal com a chuva, ninguém iria até a praia.
Voltei e não encontrei ele mais lá. Agora ele podia estar em qualquer lugar da cidade.
Mas o Luan ja era bem grandinho pra saber o que fazer. Se ele queria ir sozinho, que fosse.
Levei a maleta até a minha casa e a tranquei no cofre do escritório.
Eu não devia estar acreditando naquilo. Devia ser alguma brincadeira. Sei lá, talvez essa tal de Joanna quisesse pregar uma peça em seus descendentes. Talvez esse negócio de "destino da humanidade" não existisse. É, talvez ela fosse louca. Talvez por isso minha família foi para a Inglaterra, porque a Joanna vivia perturbando a mente das outras pessoas da cidade com isso, talvez ninguém mais a suportasse e a tivessem mandado pra lá. Isso explicaria porque ela era uma Santana e depois...
Não, não, não! Agora o que eu estava pensando era que parecia loucura. Não tinha como ser coincidencia o endereço daquela casa estar lá.
Eu precisava do meu pai, ele era meu porto seguro, ele sempre me dizia o que era certo a fazer, desde que eu era criança. Quando eu tinha qualquer problema, era para o colo dele que eu ia. De noite, eu sempre ia parar debaixo de seu cobertor, procurando por um lugar quente após um pesadelo.
E naquele pesadelo eu não sabia onde estava sua cama. E eu também não sabia se iria acordar.
Liguei para seu celular, mas so dava caixa postal. Disquei também o número do Lucas, mas deu que o mesmo era inexistente. Então resolvi ir até sua casa. Toquei a campainha repetidas vezes até que a dona Karina chegou.
-Oi...
-Oi dona Karina. Onde o Lucas e o Leandro estão?
-Quem?
-Lucas e Leandro, seus filhos. -ela pareceu confusa.
-Que filhos? Eu não tenho filhos.
-Dona Karina... seus filhos.
-Todo mundo sabe que eu não tenho filhos, porque você veio encher minha paciência hoje?
-Mas... mas Dona Karina eu não entendo...
Ela não me deixou terminar de falar, entrou e bateu a porta.
A chuva continuava. Ventava forte e meu guarda-chuva quase ia com o vento, não importava a direção que eu o colocasse.
Com um pouco de dificuldade, voltei pra casa.
Nunca havia estado tão confusa. Onde o Lucas estava? O que havia acontecido com a Dona Karina?
Comecei a tremer, sem saber se era de frio ou de desespero.
Percebi que estava completamente encharcada.
Subi até meu quarto e fui até a cabeceira da cama procurar as fotos de Lucas. Onde ele estaria àquela hora?
Tomei um susto ao ver que as fotos não estavam mais lá.
Agora eu tinha certeza que não era paranoia. Minha vontade era me rasgar inteira por dentro. Aquela era a maldição? Perder a pessoa que amamos? Já não bastava a minha avó?
Me enrolei na cama, mesmo com as roupas encharcadas. Será que meu pai também sumiria?
E o Luan? Não que eu o amasse, mas tínhamos algum vínculo agora. Ele iria simplesmente sumir também?

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Dez

POV KATHERIN
Não conseguia achar oxigênio para respirar. Se não estivesse sentada, eu cairia. Eram as palavras do pior sonho da minha vida. Eu tremia por dentro e por fora. Estava com medo. Mais medo do que já havia sentido.
-Não tem graça. -Luan disse.
-O quê?
-Eu... devo ter dito isso enquanto dormia, de algum jeito você ouviu e tá tentando me assustar. Mas eu não vou cair nessa.
-Você... você também sonhou com isso?
-Desde que o testamento foi lido. Noite após noite. Eu já não aguento ficar acordado. Mas tenho me... eu não consigo dormir.
-Eu sei. Não precisa esconder que sente medo. Eu também sinto.
-Fecha isso.
-Não, eu tenho que terminar de ler pelo menos essa parte. Mesmo com medo, continuei a ler.
"Vocês iniciaram a maldição. Para quebra-la, encontrem as outras partes desse diário, e destruam-na, junto com o mal que iniciou tudo isso. Os escolhidos devem optar entre sua vida e o destino da humanidade. A maldição é inevitável para um de vocês. Percebam o cheiro da morte e não fujam. Encarem-na, lutem. O mundo está em suas mãos."
Torci para que fosse um sonho. Luan continuava de cabeça baixa, com os braços apoiados na mesa. Me assustei quando vi seu pescoço encharcado com um líquido preto, e ele parecia não sentir.
-Luan o que é isso no seu pescoço?
-Podemos evitar fim do mundo, ou iniciar ele, e você repara no meu pescoço?
Peguei um espelho de dentro da minha mochila e lhe entreguei. Seu susto foi tão grande que ele deixou o espelho cair no chão.
Uma trovoada ribombou no céu e uma chuva torrencial começou a cair.
-A gente tá muito ferrado. -ele disse.
Olhei uma ultima vez para o diário e um endereço brilhou no rodapé. O lugar onde fica a casa onde minha mãe foi assassinada.

Nove

POV LUAN
Minhas mãos começaram a suar. Talvez a praia não tivesse sido o melhor lugar para marcar, após ter acordado ali da última vez. Sonhos estranhos fazem parte da vida de qualquer pessoa, mas sonhos estranhos por dias seguidos, acompanhados de sonambulismo certamente não eram normais.
A Katherin estava demorando demais. Já tinha se passado mais de meia hora da hora que havíamos combinado, e eu gostava menos ainda da sensação de que estava sendo observado.
Talvez fosse culpa do que eu havia feito na noite anterior. Não deveria estar pensando naquilo, mas o que fiz me incomodava. Passar a noite com a garota que você enrola desde quase sempre não devia ser bom. Mas havia algo de diferente na Micaella. Talvez fosse a voz, ou o jeito dela se vestir. Sim, ela era linda, mas dizer que passar uma noite com ela estava em meus planos era mentir bastante.
Enquanto esperava a Katherin, meu sono vinha. Havia passado a noite em claro, tentando fugir dos sonhos e do medo de morrer dormindo. Se eu continuasse daquele jeito, iria ter que procurar um médico.
O ferimento que havia surgido em meu pescoço pela manhã começou a me incomodar. Era uma bolinha minúscula, mas passou o dia dando pequenos choques em mim, o que parecia viajar pela minha corrente sanguínea. Era outro motivo para ir ao médico. Queria saber que tipo de inseto fazia aquele estrago.
Estava já desacreditado de que iria ler aquele diário naquele dia quando ela chegou.
Tinha algo de errado comigo. Algo de muito errado. Primeiro a Micaella, e agora a Katherin parecia irresistível pra mim. Tudo bem, já a via assim a muito tempo, mas nunca daquele jeito. Meu olho foi diretamente para a gargantilha dela. Uma pedra azul brilhava forte. Olhar para aquela gargantilha me fez sentir como quem leva um soco no estômago. De repente tomei repulsa por ela. Isso podia acontecer? Alguém que te faz mudar de estado de espírito em menos de um minuto não podia lhe fazer bem, mas eu precisava do diário, e ele estava com ela.
Espera. Como assim eu precisava? Queria ler ele por curiosidade e só. Não era como se minha vida dependesse de um diário de uma pessoa que eu nem conhecia.
Quando Katherin chegou perto de mim, algo me deixou alerta. Porém,ao desviar o olhar para sua gargantilha, a repulsa voltou.
-Oi. -ela disse.
-Oi. Você demorou.
-Não foi fácil explicar o que aconteceu para o meu pai.
-Então... trouxe?
-Trouxe.
Estávamos conversando normalmente. A quanto tempo um Santana e um Smith não conversavam pacificamente, sem socos ou armas (pelo menos da minha parte)?
-Vamos sentar ali. -apontei para uma mesa vazia e fomos até lá. Assim que se sentamos, ela voltou com seu tom hostil.
-Vou tentar cooperar. A vovó deve ter tido um bom motivo pra fazer isso.
-Só quero ver o que tem aí e ficar em paz.
-Igualmente.
Mas algo me dizia que aquilo não iria trazer paz. Ela colocou uma maleta em cima da mesa, colocou a senha e a abriu. A tensão era visível em nós dois.
A capa do diário dizia "Joanna Santana".
-Santana? Eu não entendo como...
-Parece que sua família tem algo que pertence à minha família.
-Não começa. A gente não pode julgar qualquer coisa sem saber dos motivos.
-Diz isso porque não sou eu quem está com um diário escrito Joanna Smith na capa.
-Não tem como. O Smith veio depois do diário ser escrito.
-Como era o nome da sua família aqui no Brasil? Antes de vocês saírem.
-Alvarenga. Assim como a fazenda.
-Então que tal Joanna Alvarenga? -ela me olhou mal humorada.
-Esse diário é de antes de Girassol ser uma cidade. Temos que ter cuidado.
-É, eu sei. É antigo e tudo mais.
Ela tirou o diário de dentro da maleta e colocou em cima da mesa. Abriu a capa com cuidado. O diário parecia ainda com as folhas novas, como se tivessem acabado de escrever nele.
"Dois devem procurar, achar, construir e destruir essas palavras. Com um casal iniciou-se  a humanidade e também por um casal ela terá seu fim. Um destino a se cumprir, amores para descobrir, uma aventura a viver. Com uma história para contar, a maldição acabará.  Em trevas ou luz a história se findará."
-Ah meu Deus. -a Katherin empalideceu e parecia em choque.
Eu conhecia aquelas palavras. Uma voz de mulher aterrorizante sempre me dizia isso. Toda noite, antes de acordar em um lugar que eu nem conhecia.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Oito

POV KATHERIN
Talvez o sonho tenha sido por causa da pressão do Luan. Passei um bom tempo tentando entender o porquê de ele insistir tanto em ler logo o diário, e em me falar pra não fazê-lo sozinha. E aquele sonho... me fez querer sair dali. Olhar para as árvores me trazia a sensação ruim de volta.
-Devíamos ficar aqui mais um pouco.
-Não, eu tenho que resolver algumas coisas também. Acho que não posso demorar mais.
-Tudo bem. -ele disse- Então eu vou tomar um banho, e a gente vai ok?
-Tá.
Lucas me abraçou e beijou minha testa por um bom tempo.
-Não vou te deixar mais em hipótese alguma. E você não vai mais em lugar nenhum sem mim ok?
-Nunca. -eu disse e abracei ele forte.
Ainda causava calafrios me lembrar de quando eu e o Lucas terminamos.

Flashback on
Eu não tinha ânimo pra nada. Nem sequer comer ou mesmo levantar da cama. Olhar para a rua pela janela me fazia sentir calafrios, como se algo de ruim fosse acontecer quase eu saísse de casa. E realmente, a única vez que tentei fazer isso, quase fui atingida por um raio. A chuva piorava a situação. Eu ficava olhando e chorando, era como se o céu sentisse um pouco da minha tristeza também.
Eu não sabia que ficar sem o Lucas iria doer tanto. Parecia que sem ele, até mesmo a minha respiração ficava mais difícil. Como se de certa forma, eu precisasse dele, como uma droga, que sem perceber você se vicia.
Eu não sabia que amava o Lucas tanto. Eu não sabia o porque de ele ser tão necessário pra mim, mesmo sabendo que aquele relacionamento era por interesse.  Ou pelo menos havia começado desse jeito. Eu sabia que ele estava mentindo no começo. Eu de alguma forma conseguia ver isso nele. Mas mesmo assim, eu sempre quis que ele me amasse de verdade, que me quisesse perto dele por algo além de status, dinheiro ou sei lá o que ele queria.
Assim que acordei, pensei que seria um dia como os outros, que passaria o dia me forçando a fazer coisas que antes eram corriqueiras.
Vi a porta se abrir devagar. Pensei que fosse o meu pai, mas quem eu vi ao abrir a porta foi um Lucas que nunca tinha visto.
Ele parecia arrasado, com aparência de quem não comia a dias e um olhar triste que me fez perder a razão de quem estava errado naquela situação.
-Eu não consigo...  fazer nada sem você.  -consegui ver a verdade nele. Ver o que eu sempre esperei ver.
-Me desculpa. -eu disse. Minha voz saía mais fraca do que o de costume.- Eu devia ter... dado o valor que você merece. Eu fui uma...
Lucas me abraçou. Eu ainda estava sentada na cama.
-Você nunca vai entender.
-Pelo menos me deixe tentar Lucas.
-Eu daria minha vida por você. Você tem ideia disso? -não conseguia dizer nada, apenas abraça-lo e chorar como uma criança.
-Não me deixa mais, por favor. Nunca mais. Eu não consigo viver. -consegui dizer em meio aos soluços.
Flashback off

Se a nossa história fosse um livro ou um filme, ficaríamos daquele mesmo jeito pelo menos por um bom tempo. Mas era a vida real. Na vida real, por mais que momentos "água com açúcar" aconteçam, as pessoas voltam para a vida ao seu redor. Logo, estávamos cometendo os mesmos erros.
Eu, tive que manter a minha imagem de garota com sede de poder, o Lucas voltou a sumir sem me dizer nada (o que me deixava muito preocupada) e nós dois voltamos a parecer aqueles casais meio bobos de filmes adolescentes. Pelo menos na frente dos outros. Éramos nós mesmos um com o outro e acho que isso nos fez sobreviver. O mais importante era que nós ainda necessitávamos um do outro. Ainda nos amávamos. Éramos a prova de que o amor podia vir de uma situação em que nada de bom restava em duas pessoas.

Sete

POV KATHERIN
Depois de muito tentar, cochilei por alguns minutos. Só que não foi muito bom. Tive um pesadelo horrível. Eu estava presa em uma floresta. Literalmente presa, não conseguia me mexer. Foi anoitecendo e meu medo foi aumentado. Uma pessoa começou a andar devagar em minha direção. Queria correr, fugir, mas tinham amarras que me prendiam.
Quando a pessoa chegou perto de mim, percebi que era minha mãe. Ela tocou meu rosto. Eu estava com medo. "Cumpra seu destino. Ache o diário e encontre o verdadeiro amor." As mãos da minha mãe ficaram cada vez menos sólidas. As amarras foram se desfazendo e eu comecei a correr sem saber direito pra onde.
"Dois devem procurar, achar, construir e destruir essas palavras. Com um casal iniciou-se  a humanidade e também por um casal ela terá seu fim. Um destino a se cumprir, amores para descobrir, uma aventura a viver. Com uma história para contar, a maldição acabará.  Em trevas ou luz a história se findará."
De repente eu estava em meu quarto novamente. Já era noite e Lucas dormia ao meu lado.
Me levantei, fui ao banheiro e depois fui pra cozinha. Podia não parecer mas cozinhar me relaxava, e eu sabia que Lucas iria acordar com fome.
Não tinha percebido o tempo passar, até que Lucas chegou na cozinha.
-Tá cozinhando? -ele perguntou. Tinha jeito de que tinha acabado de sair do banho.
-Tentando me distrair. Tive um sonho horrível.
-Deve ter sido o estresse por conta do que aconteceu.
-Você olha pra mim? Preciso tomar um banho.
-Tudo bem.
Deixei ele na cozinha, tomei banho e me arrumei. As roupas que estavam na fazenda eram as mais leves e simples que eu tinha. Só quem me via ali era o Lucas e meu pai, então não achava necessário me arrumar com o tanto coisa que eu usava na cidade.
Coloquei um short jeans claro, uma regata vermelha e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, deixando meus cachos mais soltos, como ele gostava. Coloquei um perfume e desci.
-...se a profecia estiver certa, é a nossa chance de acabar com tudo isso de vez.
Era o Leandro, irmão do Lucas. Achei estranho ele estar ali, porque não ouvi barulho nenhum enquanto estava lá em cima.
-Oi Lê.
-Oi Kate. -ele se virou pra mim- Já estou de saída, só vim falar rápido com o Lucas.
-Não vai ficar pra jantar?
-Não, me desculpe. Estou sem fome. Hoje. -ele olhou para o Lucas.
-Vou te levar lá fora. -Lucas lhe disse.
-Fica pra outro dia Kate.
-Tudo bem. -sorri.
Enquanto Lucas levava Leandro, eu arrumei a mesa. Prestei mais atenção, e não ouvi nenhum barulho de carro ou moto. Tudo bem que a casa ficava bem na entrada da fazenda mas mesmo assim, era perigoso ir da cidade pra lá a pé, principalmente de noite.
Eu e Lucas comemos em silêncio. Até que eu não aguentei mais adiar minha pergunta.
-O que você viu?
-Ahn?
-Você mentiu para o delegado.
-Kate...
-Eu te conheço Lucas.
-Parece que não o suficiente. -ele se levantou da mesa.
-Lucas, volta aqui. Você tem que me contar! -fui atrás dele- Você sempre vem com essa conversa de que eu não te conheço. E nunca me explica nada. Você não lembra que foi por isso que terminamos da última vez?
Ele parou de repente e me olhou.
-Quando eu entrei na sua casa... vi o Luan saindo de lá.
-O quê? Mas... foi o casal acompanhar ao vivo minha festa?
-Eu não falei porque... podiam dizer que estávamos incriminando eles, que estávamos implicando sem motivo.
-Você tinha que dizer. Se descobrirem, é capaz de você ser preso e... -ele colocou o dedo em meus labios para me calar.
-Não vai acontecer nada enquanto estivermos aqui. Aqui estaremos seguros de quem quer que seja, que tente entrar sem autorização. Signatum est.
-Quê?!
-Nada. -ele riu- Já que a gente está assim, falando sobre coisas que um não sabe do outro... Com quem você conversou hoje de manhã por SMS? -mordi o lábio, sabendo que ele não ia gostar da resposta.
-Com... com o Luan.
-Entendo. -ele demorou mas respondeu- Vocês agora tem algo em comum.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Seis

POV KATHERIN
Sabe aquela música "se meu mundo caiu eu que aprenda a levantar"? Pois é, meu mundo caiu. E eu não tinha a menor ideia de como colocar ele em pé de novo.
Quando eu ia imaginar que alguém ia cair na piscina e morrer no meio da minha festa? Já não tinha acabado a quota de coisas que iam me entristecer?
Estava amanhecendo e o Lucas estava ao meu lado, mas era como se não estivesse. A mente dele estava em outro lugar, eu só não sabia qual. A polícia bem que tentou fazer com que todos ficassem ali, mas a maioria das pessoas conseguiu "escapar". O delegado veio conversar com a gente.
-Oi. Sei que vocês estão abalados, todo mundo está, mas precisamos dos depoimentos de vocês. Uma coisa informal, só pra termos uma ideia do que realmente aconteceu. -nesse exato momento levaram o corpo da Jessica- As damas primeiro. Onde você estava quando tudo aconteceu?
Respirei fundo. Minha boca ficou seca e milhares de hipóteses passaram pela minha cabeça.
-Eu estava do lado de fora. Entrei com os gritos.
-E não teve nada de estranho?
-A Renata estava aqui. -o delegado me olhou como quem duvidasse do que eu dizia.
-Também era festa dela ontem. -ele disse.
-Pode perguntar a qualquer um. Todo mundo viu que ela estava aqui eu... -pensei com cuidado em minhas palavras- eu fiz questão que todos vissem.
-Ok.
-Vocês estão achando que foi de propósito? Que... tipo, alguém empurrou ela?
-Estamos trabalhando qualquer possibilidade. É improvável ser um acidente, sendo que segundo o irmão dela, ela nadava muito bem. E você, o que viu? -ele perguntou para o Lucas.
-Nada. Eu estava dentro de casa, saí com os gritos.
-E o que aconteceu pra você não estar na festa, ou mesmo com sua namorada?
-Eu entrei assim que terminou o alvoroço por causa da Renata.
-Não viu nada nem ninguém estranho?
-Não. -ele estava mentindo. Eu saberia identificar quando o Lucas mente em qualquer hipótese, mesmo quando ele achava que estava me enganando.
-Ok. Como não está provada a causa de morte, ninguém precisa ir pra delegacia. Pode ter sido um acidente afinal. Adolescentes, bebida... você sabe que isso é errado, não é mocinha? Seu pai vai ficar sabendo.
Ainda tinha o meu pai. Se já ia levar uma bronca pela festa, imagina quando ele descobrisse que alguém tinha morrido nela? Eu estava perdida.
POV LUCAS
Depois que a polícia e todo o pessoal foi embora, Kate me pediu que levasse ela até a fazenda de sua família. No caminho, ela foi trocando mensagens no celular o tempo inteiro. Resolvi não perguntar nada, a noite anterior já tinha sido turbulenta o bastante.
-Você fica aqui comigo?
-Fico sim. -respondi.
Quando Katherin estava na fazenda, se mostrava como a menina doce e gentil que era.
A casa de lá era menor e os empregados não costumavam entrar muito nela, ficavam ocupados com o restante das coisas. Então ela cuidava da casa. Do jeito dela, claro.
Quando a vi ali pela primeira vez, me apaixonei de verdade pela Katherin. Foi ali que o menino interesseiro que aturava a patricinha metida, se transformou num homem apaixonado pelo jeito doce da menina rica.

Cinco

POV KATHERIN
Era a terceira vez que o Lucas me puxava para o quarto.
-Pra quem não queria festa, até que você ta bem animado...
-Eu quero ficar junto de você. Tem tanto tempo que a gente não...
Foi o instante em que olhei pela janela e vi a Renata. ELA NÃO IA ESTRAGAR MINHA FESTA!

POV NARRADOR OBSERVADOR
Katherin desceu correndo as escadas de sua casa quando viu sua maior rival presente em sua casa. Lembrou-se de tudo o que ela havia lhe tirado: os amigos, a popularidade... Sim, apesar de toda a sensibilidade, Katherin era uma garota fútil.
Ela subiu em uma cadeira e pediu a atenção de todos.
-Por favor, aqui! -assim que todos olharam, Katherin começou a falar- Quero a atenção de todos para agradecer a presença inesperada de Renata Ferraz aqui. -os olhares da festa se voltaram para Renata, que pareceu atordoada por todos descobrirem sua presença.
Kate desceu da cadeira e deu um copo de bebida nas mãos de Renata.
-Bem vinda. Agora aprenda como se faz uma festa de verdade.
Renata observou o copo em sua mão e colocou em uma mesa próxima.
-Você quer parecer estar por cima mas não está. -ela disse para Katherin- Todo mundo esta vendo suas olheiras, rindo de você por essa atitude ridícula.
-Não é de mim que estão rindo agora. -a garota retrucou.
Renata olhou a seu redor e resolveu sair, sem abaixar a cabeça em momento algum. Lucas abraçou Katherin e pediu:
-Vamos, você tem que descansar.
-Só espera um pouco, tá? Tenho que ficar sozinha.
-Você tem cinco minutos. Nada mais do que isso.
-Porque?
-Cinco minutos Kate.
-Tá.
Enquanto isso, Luan flagra Micaella na casa dos Smith.
-O que você tá fazendo aqui Micaella?
-O que VOCÊ tá fazendo aqui?
-Eu vim ver o movimento. Não tenho que te dar satisfações.
-Ah, tem sim! Você disse que não passava das férias. Já voltamos as aulas e você não deixa ela. Você me prometeu Luan!
-Não é tão fácil deixar a Renata. Você é quem bem sabe.-Micaella o abraça e Luan revira os olhos.
-Ela pode ter você oficialmente, mas eu sei que um dia você vai ser só meu. -a garota beija os lábios de Luan, que a afasta.
-Aqui não, tá cheio de gente.
-Tudo bem. -ela lhe responde com um ar de tristeza- Você não bebeu nada daqui, não foi?
-Não. Porque?
-Não sei, eu só... não confio.
Nesse instante, ouve-se gritos vindos da piscina e pessoas pulando dentro dela. Alguém tinha começado a sufocar e caiu dentro da piscina, o que piorou a situação. Outras pessoas pularam dentro dela pra tentar tirar a pessoa de lá.
Era uma garota loira, de cabelos lisos e pele bronzeada pelo sol da cidade litorânea. Seu nome era Jessica Lea.
Quando foi tirada da água, começou a sufocar, e em segundos, perdeu seus sentidos em meio a tantas pessoas.
A pegaram para socorrer, porém quando conseguiram colocá-la em um carro já era tarde demais. Jéssica havia falecido.

Quatro

POV KATHERIN
Quando cheguei no colégio, vi que tudo continuava como antes. Lucas me deu um selinho antes de entrarmos, e então muita gente veio me dizer "sinto muito". Mas quando eu bati o olho no mural da escola, tive vontade de pular no pescoço da primeira pessoa que aparecesse.

"Super Festa Fertana".
 Meu coração quase saiu pela boca de raiva. Minha avó deixa o "tesouro da família" com ele e ele planeja uma festa? Isso foi o cúmulo!
Olhei pra aquilo e algo me disse na cabeça "tem tudo pra dar certo, seu pai vai estar em Londres". Então eu falei em alto e bom som:
-Esse ano não vai ser diferente!
-Kate, esquece isso. -Lucas pediu. Arranquei o papel do mural e corri para planejar algo pra dali a uma semana.

POV LUAN
Ela realmente não tinha coração.A avó morria e ela dava uma festa? Palmas!
-Oi Luan! -Jéssica apareceu atrás de mim.
-Oi! Tem como você fazer um favorzinho pra mim?
-Pode falar gatinho! -ela disse e se apoiou em meus ombros.
-Vai lá na casa dos Smith ver como tá?
-Tudo bem. -ela disse de cara feia, mas foi. Renata apareceu.
-O que foi Lu?
-Pedi pra Jéssica dar uma passada lá.
-Lá onde? -ela perguntou levantando as sobrancelhas.
-Na casa dos Smith. Não quero NADA atrapalhando essa noite.
-Vou aqui e já volto.
Ela saiu. Pensei um pouco e então fui atrás da Renata. Também tinha uma coisa pra fazer.

POV KATE
O som me incomodava, as pessoas não me olhavam direito, eu não estava feliz.
Aquela festa não era pra comemorar nada. Eu ainda estava triste, acredite. Mas não ia deixar a Renata Ferraz e o Luan Santana acabarem de ferrar comigo. Eu não ficaria por baixo.

Três

POV Katherin
Minha reação? Bem, ficar com a boca aberta pode ser considerado normal? Acho que devido às circunstâncias, a boca aberta foi pouco. Enquanto mais uma discussão acontecia, minha mente girava. Esse tal diário era tão importante que ficava guardado em um banco na capital, a horas de viagem. E agora eu descubro que ele é meu, que eu tenho que lê-lo e com o Luan de ponga! Muita informação pra mim.
A bagunça acabou do mesmo jeito que começou. Papéis assinados, hora de ir embora. Lucas foi comigo, meu pai e mais o restante da família até em casa e depois foi para a dele. Pedi pra ficar sozinha. Resolvi que iria no outro dia pro Colégio, com ou sem diário, com ou sem Santana.
Para que ele lesse o diário, eu também tinha que estar junto, e eu não estava nem um pouco de vontade de ficar do lado dele nem de deixa-lo descobrir algum possível segredo da minha família. Então eu queria nunca ler. Sim, eu estava curiosa, talvez aquele diário respondesse algumas das minhas dúvidas, mas não daria meu braço a torcer. Não tão cedo assim.

POV Renata
Luan parecia preocupado. Eu também estava, afinal de contas, nem depois de morrer, a bruxa deixou nossas famílias em paz. A aprendiz de feiticeira não nos deixaria em paz também.
-A curiosidade tá me consumindo. Tem algum motivo pra isso! Alguma coisa naquele diário que... não sei só sinto que tenho que ler.
-Não quero você perto daquela idiota.
-E nem eu quero ficar perto dela. Mas vai ser rápido. Quem sabe eu não descubro alguma coisa pra fazer eles irem embora de uma vez?
A Camila andou até a gente.
-Oi casal veneno.
-Não enche garota. -Luan respondeu. Fingi que ela não estava ali.
-Não posso nem dar um oi? Tudo certo então. Ah, a Micaella está vindo aí, acho melhor você procurar uma outra desculpa priminho.
-O que você está supondo garota? -perguntei.
-Adeuzinho Rê. Vê se fica calma, vão ser só mais algumas horas. Por dia.
Ela saiu.
-Aff Luan, eu odeio essa sua prima. Ela sempre defende TODO MUNDO!
-A Camila só é muito... paz e amor, sabe?
-Por falar em paz... finalmente vamos ter nossa festa sem eles pra perturbar. E eu tenho uma carta na manga. -sentei no colo dele.

Dois

POV KATHERIN
Acordei na cama do Lucas, sem saber como tinha ido parar lá. Me levantei e fui atrás dele, e assim que abri a porta, dei de cara com sua mãe.
-Dona Karina, onde tá o Lucas?
Ela me olhou surpresa.
-Ele disse que foi em sua casa. Que horas você chegou aqui?
-Eu não sei, eu não me lembro. Que horas são?
-São oito.-ela olhou no relógio.
-Ai droga, tenho que ir!
-Não vai comer?
-Não, depois eu como! -disse descendo as escadas.
Peguei a bicicleta do Lucas e fui correndo pra minha casa, que já estava vazia. Coloquei uma roupa decente (com a que estava eu não poderia entrar no fórum. Mesmo ele sendo minúsculo, tinha as mesmas regras de um fórum de uma cidade grande) e voei para onde iria ser lido o testamento da minha avó. Queria ver a cara de decepção das pessoas que acharam que iriam se aproveitar dela.
Procurei o Lucas, mas não foi ele quem eu vi primeiro. Olhei novamente para ver se não estava tendo uma miragem. O que os Santana estavam fazendo ali? Nossas famílias sempre brigaram (nunca soube bem o motivo, mas sempre odiei TODOS eles, inclusive o Luan, com quem eu brigava desde o jardim de infância mas seria obrigada a aturar, já que só tinha uma escola na cidade). Luan me olhou da cabeça aos pés e voltou a falar com o pai. Ao invés do Lucas, procurei meu pai, e logo achei.
-O que os Santana estão fazendo aqui?
-Não sei, parece que foram intimados. Já já vamos descobrir. -me sentei em meu lugar.

POV LUAN
Já tinha gente demais naquele lugar, aquilo me agoniava. Mas ver a Katherin ali me deu mais vontade de ir embora.
-Pai, a gente tem mesmo que ficar aqui?
-Luan, se chamaram é porque alguma coisa tem. É um assunto jurídico, por mais que nossas famílias não se deem bem, temos que ficar aqui.
-Não pensei que fossem ter tantos Smith. Não aguento mais, todo mundo só fala inglês. -meu pai riu, mas eu não estava achando a menor graça. O quanto mais longe eu ficasse daquela garota, era melhor.
Começou a leitura do testamento. Nomes de pessoas que eu nunca tinha ouvido falar começaram a ser ditos. Já estava perdendo as esperanças de que algo interessante fosse acontecer quando ouvi:
-E por fim, deixo à minha amada neta Katherin Smith e a Luan Rafael Domingos Santana um objeto de valor inestimável: o diário de Joanna S., que deve ser lido em conjunto e somente pelos dois, inicialmente.
-NÃO, TEM ALGO ERRADO AÍ! -o pai de Katherin se levantou e foi em direção ao juiz- Mamãe jamais iria querer juntar um de nós com um Santana!
-NÃO OUSE FALAR DA MINHA FAMÍLIA NESSE TOM! -meu pai se levantou.
Começava mais uma discussão. Em um instante, o fórum estava em alvoroço.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Um

POV KATHERIN
-Vai para o seu quarto, eu preciso ficar sozinho.
-Mas pai...
-Não tem "mas" Katherin! Eu quero ficar sozinho.
Saí do escritório do meu pai e atravessei aquela sala cheia de gente desconhecida. O motivo de a casa estar tão cheia era a leitura do testamento da minha avó. Eu estava muito abalada, afinal depois de perder minha mãe, a minha avó fez esse papel.
Não me interessava se ela tinha ou não me deixado alguma coisa, mas sim sabe o que ela deixou para aquelas pessoas, que pareciam tão frias e ingratas.
Em todo o caminho vi pessoas com o choro falso e palavras que eu nem me dava o trabalho de prestar atenção no que significavam. A maioria das pessoas ali nem português sabiam falar.
Senti alguém me segurar pelo braço.
-Kate eu vim...
-Agora não Lucas. -me soltei dele e fui em direção à frente de casa,
Quando coloquei o pé lá fora, vi a Micaella xeretando (ou pelo menos tentando) o que estava acontecendo em minha casa.
-Perdeu alguma coisa?
-Não eu só vim... lhe dar meus pêsames.
-Ah, tá certo. A Renata sabe que você tá aqui?
-A Renata não manda em mim.
-Não tô com paciência pra piada hoje. Dá pra você sair daqui, garota?
Ela empinou o nariz e saiu andando. Comecei a caminhar até chegar na praia. Fazia frio e eu não gostava dali, mas era o único lugar onde eu poderia pensar em paz.

POV LUCAS
Fiquei um pouco decepcionado com a atitude da Kate. Estávamos namorando, e eu podia pelo menos ficar ao lado dela. Mas eu procurei entender, afinal ela estava muito abalada.
Fui pra casa, porque talvez ela tivesse ido pra fazenda e não voltaria naquele dia.
-Ela está melhor? -minha mãe perguntou assim que entrei.
-Não consegui falar com ela.
-Porque?
-Tinha muita gente.
Subi para o meu quarto, tomei um banho e deitei, tentando me convencer de que ela não estava me ignorando outra vez, apenas estava triste por perder a avó.
(...)
Eram 3:30 da manhã quando meu celular tocou.
-Alô?
-Lucas, a Katherin está com você?
Aquele sotaque era inconfundível: era o pai da Kate.
-Não senhor. Ela não está em casa?
-Não, e nem na fazenda. Não tem mais lugar na cidade que eu a procure.
Me levantei imediatamente e peguei a chave do carro do meu pai sem nem avisar e comecei a procurar. Fui em todas as praças, voltei pra procurar na fazenda... e nada dela. O medo que eu tinha era que ela se perdesse no matagal. A cidade em si era muito pequena, e foi construída tendo como base três fazendas: a dos Ferraz, a dos Santana e a dos Smith. Em dois desses lugares eu não entrava, então ficava mais difícil. Estava prestes a cometer uma loucura quando meu celular recebeu uma chamada restrita.
-Ela tá na praia. -e desligou.

Oi amores!

Então, eu vou começar a postar a fanfic de novo! Como vocês viram, os capítulos estavam todos embaralhados, o que empatava de acompanhar a história. :( Vou repostar o Um hoje e vou ficar postando dois ou três todos os dias até voltar ao capítulo 25, onde parei. Espero que dê tudo certo agora! Beijos. :*