sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Oito

POV LUAN
Estava insuportavelmente tedioso dentro do ônibus. Não se via um pingo de azul no céu.
-Você já ficou de porre?
Perguntei pra Kate que me olhou como se perguntasse "sério que você perguntou isso?"
-Eu só perguntei porque... eu nunca fiquei.
-Nunca?
-Não. Eu só aguento dos outros.
Ela riu.
Olhei pra frente e encarei uma senhora que não fazia a mínima questão de disfarçar que me olhava. Me consertei na cadeira, desconfortávelmente.
-O que foi? -Kate me perguntou.
-Nada demais. -sorri- Só estou me preparando pra quase um dia inteiro numa mesma cadeira.
Kate olhou para a janela por um bom tempo.
-No que você está pensando? -perguntei.
-Você acredita em coincidência?
-Não mais. Sabe, é tudo muito em seu lugar, ou muito fora dele pra ser por acaso. Se hoje a gente está aqui, é por um motivo. Se você já grudou chiclete em meu cabelo, também não foi por acaso.
-Só sua mãe te achava bonito com aquela franjinha. Você ficou bem melhor quando tirou tudo.
-Você lembra daquele ano em que eu fiz festinha do Mickey e você da Minnie?
-Como vou esquecer? Você e sua gangue invadiram minha festa de aniversário. -rimos.
-Então... Isso tudo não pode ter sido coincidência.
-Com o tempo, eu aprendi que sempre pode existir um meio termo. Existem milhões de cores entre o preto e o branco, e muitas respostas entre o sim e o não.
-E entre o século XIX e o XXI, existe um diário.
-Eu fico pensando em como eles eram. Será que brigavam como nós?
-Ou que se abraçavam forte como nós? Espero que não. Não quero que a gente seja como eles. Vou lutar até o fim. -ela se afastou de mim e colocou as mãos na testa- O que foi?
-Só um enjoo, é o balanço do ônibus. Daqui a pouco eu melhoro.
Ela tomou um pouco de água e se cobriu.

Cadê vocês comentando hein?  A fic não tá legal? :c

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Sete

POV LUAN
Chegamos por volta de uma da manhã em Santa Cruz de La Sierra. A Katherine estava com uma cara de sono, e queria seguir viagem, mas ela tinha que parar numa cama de verdade. E eu estava faminto. A deixei dormindo, prometendo-lhe que iríamos para La Paz assim que ela acordasse e saí para tentar acalmar minha fome.
A todo momento, as palavras daquela mulher não saíam da minha cabeça. Mesmo que o mundo não acabasse, algo muito grande estava pra acontecer. Eu só não sabia o quê, e tinha medo de não aguentar.
*
-A que horas sai o ônibus?
-Daqui a três horas. Ainda podemos conhecer a cidade.
-Não. Tá chovendo.
De novo, a Kate parecia se fechar pra mim. Eu sabia que ela estava protegendo o seu coração, mas tentava fazê-la voltar ao normal de todas as formas.
-Pra você. -estendi pra ela uma trufa de chocolate que havia comprado pra ela- derreteu um pouco, mas você pode colocá-la no frigobar.
-Não tem tempo pra isso.
-Isso o quê?
-Beijos, bombons... a gente tem que se concentrar no que viemos fazer.
-Eu vim para te proteger. E vou fazê-lo a todo custo. Mas Kate, só temos um ao outro, a gente tem que -'ficar junto' disse na minha cabeça- nos acostumar com isso. Que seja na melhor forma.
Ela pegou a trufa e sentou na cama, pegando o controle da televisão.
-Não, não vê tv. Só tem coisa ruim. -peguei da mão dela- Vamos conversar.
Kate ficou olhando para a minha camiseta.
-O que foi isso?
-Ah... devo ter molhado em algum lugar. Sorte que é preta.
Tirei e fui até o banheiro lavar. Senti seu olhar, mesmo de costas. Fingi que não vi. Assim que a camisa começou a ser limpa, vi o que a estava manchando: sangue. Era difícil me alimentar em uma cidade que eu nem conhecia, e era super fácil eu me perder, mas rapidamente achei o caminho de volta. Terminei de limpar a camisa e fiquei olhando a Kate da porta. Ela estava coberta do pés à cabeça, acho que com vergonha de ter ficado me observando. Deitei do lado dela e descobri seu rosto.
-Você tava me olhando?
-Não.
-Não mesmo?
-Só por um tempo -ela corou- É porque eu não tenho o costume de te ver assim.
-Eu só estou sem camisa.
-Pra você pode não ser nada, mas pra mim é muita coisa.
-Muita mesmo?
-Ah, para! Você sabe que não é nesse sentido. -ela se cobriu de novo.- Vou dormir um pouco, já que eu não posso fazer nada.
-Tudo bem.
-Boa noite.
-Está quase amanhecendo.
-Boa noite.
-Boa. -respondi rindo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Seis

POV LUAN
Depois do almoço a Katherin dormiu. Resolvi dar uma volta no vagão. Achei uma tv, que tinha somente uma pessoa sentada assistindo, uma moça que estava agarrada numa bíblia. A tv mostrava o Rio de Janeiro. A tempestade era enorme, tinha várias pessoas desabrigadas, e o nível do mar tinha subido além do normal.
-Você está preparado?
-Pra quê?
-Pro fim do mundo.
-Acho que não.
-Quem é que está? -ela sorriu.
-Acho que no fim, vamos descobrir um jeito. Eu não faço ideia de como, mas também não fazia ideia de que estaria aqui. Então, vamos descobrir. Talvez o mundo não acabe.
-É. Talvez a profecia esteja errada. -gelei na hora.
-Que profecia?
-Você não vê tv?
-Não tenho muito tempo.
-Descobriram um calendário muito antigo. Fizeram milhares de anos, e ele termina justamente dia 20/12/2012. Dizem que é o fim do mundo.
Fiquei pensativo por um bom tempo. O ano foi tão movimentado, jamais iria pensar nisso. Não podia ser mais uma coincidência.
-Também falam sobre a ira de algum deus e sobre criaturas da noite.
-E você acredita? Nessas tal de criaturas da noite...
-Não sei. É meio surreal não é? Lendas e mais lendas... Além do mais, a gente já teria provas. Ou já pensou, você, sei lá, num trem e uma "criatura da noite" -ela fez aspas com a mão- sentada do seu lado.
Sorri sem graça.
-Toda lenda tem um fundo de verdade.
Ela ficou me olhando e depois pegou na minha mão.
-Você tá tentando me botar medo?
O cheiro dela chegou imediatamente até a mim. A sensação era como quando eu chegava da escola com fome e a minha mãe estava terminando o almoço. Só que umas cinco vezes maior. Eu queria sentir o gosto dela e saber se era tão bom quanto o cheiro, mas não fazia ideia de como fazer. Tentei me lembrar dos filmes que tinha visto. Parecia tão fácil, mas não era legal você chegar do nada mordendo o pescoço de alguém. E eu não sabia onde segurar, qual seria a sensação... Eu poderia tentar. Não tinha ninguém por perto e seria fácil me livrar dela com o trem...
-MÃE! -uma menina de três anos entrou correndo e pulou nos braços da moça.
-O que foi meu amor?
-Eu olhei pro lado e não te vi, fiquei com medo.
Me levantei e voltei pra perto da Katherin. O que eu estava perto de fazer? O que eu tinha me tornado?
Me abaixei no chão e comecei a chorar.
-Luan? -a Kate chamou.- O que aconteceu? Nunca te vi chorar.
Ela sentou do meu lado.
-Eu... não... não chega perto. -respirei fundo e enxuguei as lágrimas- eu não quero te machucar.
-Você não vai me machucar. Eu confio em você. -ela beijou minha cabeça- Você é mais forte. Eu tô do seu lado. Olha pra mim. -levantei a cabeça- A gente passou por isso tudo juntos, e vamos ficar juntos até o fim. Mesmo que ele esteja perto. Ou que esteja longe, que é o que eu mais espero.
Ela cobriu meu rosto de beijo.
-Eu te amo Kate.
Ela parou e olhou pra mim. Eu também não acreditava que tinha dito aquilo, mas disse. E a beijei com mais vontade do que qualquer outra vez.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Cinco

POV LUAN
Kate tinha bebido um pouco demais, mas eu tinha me controlado, porque não via mais tanta graça em beber ou até comer muito. E olha que eu amava comer.
Estávamos deitados um em frente do outro, e o outro casal estava na outra cama.
-Você não vai dormir? -perguntei sussurrando.
-Não quero.
-Porquê?
-A peruca pode sair, e...
-E o quê?
-Os pesadelos voltaram.
-Eu tô aqui.
-Não depois de eu fechar os olhos.
Ela ficou me olhando por algum tempo.
-Como é não dormir?
-Eu durmo. Só um pouco, mas durmo.
-Acho que se você dormir comigo eu consigo dormir.
-Vou tentar. -fechei os olhos. E fiquei com eles assim por um bom tempo. Quando abri de novo, ela já estava dormindo. Beijei sua testa e fiquei olhando ela dormir.

-Tchau e muito obrigado, mais uma vez.
-Por nada. Boa lua de mel pra vocês.
-Muito obrigada.
Kate me deu a mão e entramos no trem, que já estava pra sair. Estava cheio, mas como compramos uma espécie de quarto, não nos incomodaria muito.
-Pronta pra 18h de viagem?
-Acho que sim.
Ela deitou e eu deitei do lado dela. O trem começou a andar.
-Tem uma coisa que você nunca me contou.
-O quê?
-O que tem no diário?
-Ah... você sabe. A vida da Joana.
-Não é interessante? Tipo a nossa? -ela riu.
-É. Muito.
-Conta então.
-Bem, tinha duas famílias que se odiavam. E ela se apaixonou pelo rapaz da família rival.
-Tipo Romeu e Julieta?
-É... tipo Romeu e Julieta. Só que o final é diferente. Bem, eles fizeram ela ver todos de sua família morrendo. E expulsaram ela do país com uma mão na frente e outra atrás. -sua voz estava embargada e seus olhos marejados.
-Nossa, que história triste.
-Não tanto. No navio ela conheceu um Duque Inglês. Ele se apaixonou por ela e assumiu seu filho.
-Filho? Você não falou de filho.
-Ela estava grávida.
-Ah. E depois?
-Quando ela chegou em Londres, teve o bebê, mas raptaram ele. No diário ela diz que achava que foram as "criaturas da noite".
-Vampiros?
-Provavelmente.
-Ainda não vi nada feliz nessa história.
-Bem, ela teve um filho com o Duque por causa disso a família Smith começou a ter sangue brasileiro misturado. E muitos anos depois, a minha vó resolveu voltar.
-Eu só não entendi porquê ela assinava o diário como Santana.
-Santana era o sobrenome do amor da vida dela.
Não pude evitar de sorrir. Tínhamos uma ligação,  afinal.
-E depois?
-Não sei. O que li só vai até a parte em que ela diz que um dia eles vão voltar a ficar juntos, de alguma forma. O restante foi perdido. Eu nunca vou saber o final da história.
A abracei.
-A gente pode inventar um final feliz pra eles.
Ela saiu de meus braços e foi até a janela.
-Mas eu realmente queria saber.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Quatro

POV LUAN
-A quanto tempo vocês estão juntos? -Um ano.
-Ces são muito novos pra já estarem casados.
O casal Souza aceitou que a gente dormisse em seu quarto, mas nos encheram de perguntas. A Kate não me deixava responder nenhuma.
-De onde vem o Salvatore?
-Alguma parte da Europa. Não sei muito bem. Não sou ligado à minha família. -respondi.
Chegamos no quarto e guardamos nossas coisas. Combinamos de não tirar nada da mala, para o caso de alguma emergência, estarmos com os documentos falsos.
-O que vocês acham de jantarmos juntos? Assim podemos nos conhecer melhor.
Kate olhou pra mim, esperando uma resposta.
-Tudo bem. -respondi- Só precisamos nos trocar.
-Ah claro. Fiquem à vontade. Vamos estar lá embaixo.
-Ok. -a Kate sorriu. Eles saíram e ela se jogou na cama. -Posso ir primeiro?
-Pode.
Ela tirou a peruca e foi pro banheiro.
-O grande problema vai ser a maquiagem.
-E essa barba que é mais difícil de botar do que a normal de tirar? Essa lente marrom que não tem nada a ver comigo...
-É castanho.
-É a mesma coisa.
-Não é não. -ela fechou a porta. Dei uma boa olhada no quarto e vi que tinha um violão lá. Que saudade que eu tava de sentar e tocar...
Me levantei e me senti um pouco tonto. Eu estava fraco. Cada dia mais fraco. E não sabia o que fazer. Peguei o violão e comecei a dar uma melodia à letra que estava na minha cabeça a dias.
Não vou contar
Sobre os conflitos que acontecem na minha cabeça
Se não te entrego toda minha fragilidade
Minha dualidade iria te assustar demais
Só vou te dar o lado bom das coisas
Se eu me fizer de forte cê vai confiar
E me entregar os seus desejos mais profundos
Com você todas as coisas simples ficam mais bonitas
Me deu o melhor carinho que eu tive na vida
Eu não quero te ver chorar
Se nada é eterno, promete ser meu nada
Meu único refúgio à beira de uma estrada
Te coloquei nas vírgulas de cada sonho meu
Eu quero ter você de janeiro a janeiro
Dos meus planos mais lindos, você é o primeiro
Te coloquei nas vírgulas de cada sonho meu
Nas vírgulas de cada sonho meu
Quando terminei, vi a Kate em pé me olhando.
-Você que fez?
-Foi.
-Vocês são tão parecidos...
-Vocês quem?
-Você e o Lucas. Ele também compõe. Ele fez uma música pra mim também. -ela sorriu cabisbaixa.
-Bom, eu já volto. Coloquei o violão no lugar e fui pro banho.
Quando eu voltei, a Kate estava na varanda, cantando uma música que eu nunca tinha ouvido,  com voz de choro.
Fiquei atrás dela até ela terminar. Ela já estava de peruca e tudo e eu também já estava arrumado. Coloquei a mão em seu ombro.
-Desde quando você tá aí?
-Desde que você começou.
Ela se virou e me abraçou.
-Porquê isso tudo não acaba logo?
-Já vai acabar, eu te prometo.
Ela me abraçou com mais força e depois me soltou de repente. Depois, fez algo que me surpreendeu mais ainda. Ela me beijou.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Três

POV LUAN
Chegamos em Corumbá já estava anoitecendo, e fomos direto para a estação de trem, que era a única forma de se chegar até lá. Kate correu até a fila dos guichês, que estava enorme.
-Tenho um bilhete pra amanhã bem cedo.
-Preciso de dois. -ele me olhou dos pés à cabeça.
-Tenho os dois.
O preço que ele estava propondo era o dobro do preço normal. Deixei ele falando sozinho e fui até a Katherin, só tinha duas pessoas na frente dela.
-Não está com fome?
-Um pouco. E você?
-Não.
-Por favor, dois bilhetes para o próximo tr...
-Só temos pra daqui a três dias.
-O quê? Três dias? Não, daqui a três dias eu tenho que estar na metade do caminho.
-Sinto muito pela senhora. Próximo! -ela não sentia muito. Olhou pra mim e coçou seu bigode.
-Eu não sei vocês, mas tenho que trabalhar.
Puxei a Kate até a frente da estação e procurei o cambista de novo. O encontrei negociando com outro rapaz logo mais à frente.
-Ei, eu vou querer os bilhetes!
-Sabia que iria voltar. -ele sorriu- Então, essa é a sua companhia?
Ele olhou a Kate de cima a baixo, com um olhar nojento. Minhas mãos reclamaram de não estar no meio da cara dele. Peguei o dinheiro e entreguei a ele e ele me deu dois bilhetes.
-Onde podemos passar a noite?
-Tem um lugarzinho ali do outro lado da praça. Se derem sorte, encontram uma cama.
De mãos dadas com a Kate, atravessei a rua. Vi ela olhando pra trás.
-Você viu o jeito que ele olhou pra mim? Esse cara é nojento.
-Me segurei pra não fazer a fuça dele ir direto para o chão.
Ela riu.
-Eu sei me defender.
-Eu sei te defender melhor do que você.
A pousada parecia ser de grande porte. O portal era todo de madeira ornamentada e se via um tapete vermelho que guiava os futuros hóspedes até a recepção. Assim que entramos, nos disseram que os quartos estavam todos cheios.
-Mas temos um duplex que só está com uma cama ocupada. Se o casal que está lá quiser dividir os senhores aceitariam?
-Claro. -Kate respondeu.
-Bem, eles estão sentados ali no bar, estão vendo? O rapaz está de camisa amarela.
-Tá. Muito obrigada, nós vamos lá. -a Kate não me deixava nem abrir a boca direito. Eu não concordava muito em dividir um quarto com pessoas que nem conhecíamos, então preferi não me envolver na negociação deles.

Volteeeei kkkk Agora cês me perdoam? Vou contar sobre o show. *-*
Cara, é muito perfeito, eu amei cada momento e... fiquei na gradeeee! Hahahaha Minha mãe falou que eu passei na tv, mas só ela e uma amiga minha viram, mais ninguém. Kkkk Foi muito lindo. Eu fiquei sozinha na hora do show dele e depois encontrei minhas amigas, mas show de ídolo é show de ídolo, quase não tem como ficar ruim kkk Fiz de tudo pro Lucas me ver, mas ele só olha pro fundo, não sei porquê  '-' Mas foi lindo do mesmo jeito e mal posso esperar para o próximo. *-*

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cinquenta e Dois

POV LUCAS
Minha última lembrança era ser atingido por água benta. A dor era insuportável, dez vezes pior do que o sol me fazia. Meu corpo parecia estar em brasa. Lembrava também do Sorocaba sumir, um dia antes de me pegarem. Eu tinha certeza de que era uma emboscada, e que ele estava no meio.
Agora eu não sabia mais aonde estava. Fizeram alguma coisa comigo que eu sentia frio. Muito frio. Parecia que eu era uma pessoa normal novamente. Ouvi passos que pareciam ser de duas pessoas e me forcei a abrir os olhos.
-A gente devia se livrar logo dele. -um rapaz falou.
-Não! O Leandro quer ele vivo.
-Micaella, por quê você se prende tanto nele? Você já teve provas de que...
-CALA A BOCA RALPH! Não é só pelo Leandro, você não entende? Não tem mais como... -ela olhou pra mim e me viu acordado.- Ele acordou. Dê um jeito nisso, você sabe que se ele despertar te mata num segundo.
Ralph foi até uma mesa e pegou uma seringa com um líquido preto e Micaella saiu pela porta mais próxima. Esperei ele chegar mais perto e tentei me soltar das amarras.
-Ei, ei, ei fica quietinho aí! Tá vendo isso aqui? É sangue de demônio. Você sabe né? Um pouco faz adormecer, um ml a mais te mata. Não se mete a besta.
Ele segurou meu braço e aplicou. No mesmo instante, começou a arder de um jeito insuportável. Dava pra sentir aquele verdadeiro veneno correr e se espalhar por minhas veias.
-Dizer que te achei foi meu pior erro. Eu devia ter te deixado morrer.
Depois disso eu apaguei.

POV LUAN
-Mãe! -Kate acordou com um pulo.
A comissária estava passando do nosso lado bem na hora.
-Senhor, está tudo bem?
-Sim, ela só teve um pesadelo.
Kate olhou pra mim assustada e me abraçou. Ela só tinha cochilado por meia hora e conseguiu ter pesadelos. A comissária trouxe um copo de água.
-Kate, toma.
-O que é isso?
-É agua. Só agua.
Ela me olhou desconfiada por algum tempo e depois pegou o copo da minha mão com as duas mãos, como uma garotinha assustada, o que não parecia nem um pouco com a Kate que eu conhecia. Tinha acontecido alguma coisa que ela não queria me contar. Ela devolveu o copo.
-Falta muito pra chegar?
-Não senhora, só dez minutos.
-Tudo bem.
Ela voltou para o lugar que estava antes.
-Você não quer conversar? Guardar só pra você mesma não faz bem. Eu estou aqui sempre.
Ela abaixou a cabeça e ficou mexendo na barra da blusa.
-É que... meu pai, ele... Apagaram a memória dele. Ele não se lembra mais de mim. -ela disse sem me olhar, com os olhos marejados.- Eu agora só tenho o Lucas e você. Eu não quero perder vocês. Eu não posso perder vocês. Nenhum de vocês. Vocês dois são a única coisa que eu tenho.

AMORES ME DESCULPEM PELO SUMIÇO?  :$  ADMITO QUE SUMI ATÉ DEMAIS KKKK SE EU POSTAR O 53 AINDA HJ VC ME PERDOAM, HEIN? ENTÃO ATÉ MAIS TARDE, NO PRÓXIMO CAPÍTULO EU CONTO SOBRE O SHOW. :*